...com alma, com gentes, com sabores, com sensações, com saudades...

Terça-feira, Junho 23, 2009

Coordenadas GPS Centro Ciência Viva Constancia


Bom dia,

Para quem precisar junto seguem as coordenadas de GPS para irem dar ao CCVC, onde se realizará a actividade nocturna.

  • Centro de Ciência Viva de Constância
  • 39º 29' 41.38'' N
  • 8º 19' 25.87'' O

Já estamos 23 pessoas confirmadas.

Até lá!






Ao Tio Zé (José Afonso Brardo)

A vida é isto, esta passagem breve de Eros a Tanatos, a viagem de uma aldeia da Beira Alta, onde poucos sobreviviam às maleitas e à água inquinada das fontes que secavam no Verão, para acabar em Lisboa carregado de anos e saudades, a ver todas as manhãs aquela estátua de santo António que o tempo se encarregou de tornar menos feia.

Eu já esperava que o octogenário se finaria antes de nova visita. Vi como as forças lhe faltavam naquela cadeira onde, há um mês, ainda cultivava sonhos e afectos e desfiava memórias. Era uma cabeça a quem o corpo já desobedecia, com olhos muito abertos para levar consigo a imagem do primeiro sobrinho que agora perdeu o último tio. Que raio de vida, tio. Que sorte a nossa. Que injustiça. Não mais passearemos na Avenida de Roma nem tomaremos café na Suprema.

Recordo as duas últimas vezes que estivemos juntos. A penúltima foi na Miuzela natal onde lhe descerraram o retrato e lhe disseram umas palavras para o comoverem. Foi a última vez que voltou à terra onde nasceu, que regressou aos lugares da infância e ao lugar onde deixa os pais que eram meus avós, Paulo e Anunciação.

Vem-me à memória o avô Paulo, excomungado por ter comprado a vinha do passal ao representante da República, obrigado a pagá-la segunda vez ao pároco para levantar a excomunhão que permitiu ao Tio Zé a entrada no seminário e o percurso para doutor.

Recordo as cartas com que jogávamos à sueca na adega, as pescarias que fazíamos no Côa e as discussões de quem escolheu lados diferentes na trincheira das ideias sem a mais leve beliscadura nos afectos. Eu era o irmão mais novo – dizia-me –, parece que tinha vergonha de ser tio como se o sobrinho não se orgulhasse do parentesco.

Ficou tanto por dizermos, tio, nem ao menos me disse que queria ir para a Miuzela, vai para a terra onde casou, a terra é toda igual, não se encontra ninguém daquele lado. É deste, na memória dos que ficam, na saudade que dói, na tristeza que nos invade, que ainda será lembrado enquanto vivermos os que gostámos de si e choramos a partida.

Até amanhã, tio Zé, prefiro ir a Lisboa dizer-lhe o último adeus e ignorar o sítio para onde o levam. Quero recordá-lo onde viveu e conservá-lo na memória. À medida que me deixam fico com mais recordações para desfiar.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Encontro de Miuzelenses: 27 Junho 2009


Meus caros,


Venho por este meio divulgar o encontro de Miuzelenses no dia
27 de Junho de 2009 em Constância.

O programa definido até agora é uma
sessão de astronomia, à noite.


No entanto e como o tempo estará, com certeza, mimoso, proponho que nos encontremos pelas
16 horas por lá e que nos organizemos um pic-nic e jogos tradicionais.

Lembrem-se do que jogavam e ainda gostam de jogar e levem o que precisem.




Para mais informações contactem-me por:
  • cesarladeiro@gmail.com
  • 934 056 858 (Optimus)
  • 927 510 080 (TMN)

À semelhança do ano anterior esperemos que cada um traga um amigo e que sejamos muitos.

Divulguem, se faz favor.


Obrigado!

Miuzela Arriba!

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Miuzela...

Muitos dos que visitam este blog já encontraram possivelmente na "weblandia" páginas, fotos, videos que falem ou estejam relacionados com a Miuzela...eu encontrei este video...






Terça-feira, Janeiro 20, 2009

A igreja da aldeia *

A igreja era a única construção sólida da aldeia. Os meus pais viriam a erguer uma casa de raiz para poupar os filhos ao frio que entrava pelas frinchas das paredes e aos pedaços de telha-vã que acontecia soltarem-se em noites de vendaval na casa que conseguiram. Eram poucas as janelas e os vidros que se partiam eram supridos por tábuas ou cartolina até chegar um novo, com tamanho aproximado, que acertasse no caixilho.

A escola viria a cair um dia, durante a noite, por milagre do Senhor, que soía colher os louros das desgraças que podiam ser piores. Se o milagre ocorresse durante as aulas era tragédia e caber-me-ia a perda precoce da mãe e do irmão mais novo, acompanhados de meia centena de crianças que ocupavam o espaço para onde desabaram três paredes e o telhado.

A Junta de Freguesia reduzia-se a um carimbo e um livro onde a professora escrevia e assinava a rogo de quem devia e não o sabia fazer. Pode dizer-se que a autarquia funcionou nas escadas das casas do Sr. António Bernardo e do Sr. José Simão, quando necessário; fora disso jazia em alguma gaveta, misturada com garfos e colheres de ferro ou de alumínio – já que o talher, com inclusão da faca para cada comensal, era desconhecido e supérfluo nesses anos e nesses sítios –, ou sobre a mesa por entre malgas e outra louça de barro. Julgava eu, então, que a Junta de Freguesia era o sítio onde se guardavam os boletins de voto dos vivos e mortos que no dia das eleições eram metidos na urna pelos eleitores que apareciam ou pelo Sr. António Bernardo quando faltavam, sobretudo os mortos, cujo exercício da vontade cabia ao presidente da mesa, sem pasmo nem reclamações.

A pobreza da aldeia só é imaginável, hoje, percorrendo países do terceiro mundo. Os ventres dilatados de várias crianças eram fruto de carências proteicas; e os olhos, que ameaçavam saltar das órbitas quando viam comida, denunciavam a fome que as consumia. Valeu a Cáritas, em meados do século XX, ter começado a distribuir leite em pó, farinha, queijo e marmelada. Só voltei a ver uma fome assim, então sem apoio de qualquer organização humanitária ou instituição governamental, em finais dos anos sessenta do século passado, em Moçambique.

Mas era da igreja que ia falar, da sua torre de dois sinos que tangiam desde a manhãzinha até às trindades, sempre aptos a anunciar as cerimónias litúrgicas e as orações que faziam correr aflitos os paroquianos, não fosse o atraso fazer perigar o destino da alma ou atrair a recriminação do padre, ou mesmo do sacristão e de algum zelador mais beato, por se sentirem investidos do prolongamento da autoridade sacerdotal e se anteciparem ao padre na admoestação.

A igreja era assaz grande para nela caber a população da paróquia e sobrar espaço. Podia proceder-se ao recenseamento durante a missa se lhe acrescentassem o meu pai e o Sr. Morgado, cujas ausências me intrigavam e algumas vezes me afligiram quando o Sr. padre verberava ateus, mações, comunistas e judeus e os condenava às perpétuas penas do Inferno, onde só havia choro, ranger de dentes e azeite fervente onde as almas frigiam.

Durante a catequese, que era ministrada à noite, aprendia-se a doutrina da única religião verdadeira, a que conduzia à salvação da alma, e decoravam-se as orações ensinadas num autêntico curso de terrorismo religioso que induzia terrores nocturnos e intensa xenofobia nas pobres crianças. É difícil perceber como duas catequistas tão doces e analfabetas tinham uma imaginação tão fértil e perversa.

A Igreja era varrida uma vez por semana e lavada de longe em longe por mulheres que mudavam as toalhas do altar e a farpela aos santos, esfregavam as pedras onde os devotos se ajoelhavam e limpavam as paredes com um pano húmido na ponta de um enorme varapau. A pia de água benta era lavada com a vulgar água da fonte de mergulho e sabão, depois de acesas discussões teológicas para tentar concluir se a água benta que nela restava podia deitar-se fora sem cometimento de pecado ou se o uso do sabão não seria sacrilégio perante a bênção dessa água, que até a alma lavava. Valia a decisão da senhora Deolinda, que, sem conversas, alheia a preocupações metafísicas, encharcava um pano seco e o torcia na rua a escorrer água negra do lodo depositado e que a bendição não lograra tornar alvo, até enxugar a pia e proceder, depois, à lavagem com água e sabão azul.

As festas canónicas eram no Verão. Talvez o frio não desse saúde aos santos que saíam em passeio a ver a aldeia e a arejar ao som de cânticos, sem música, que a banda ia de graça mas era preciso alimentar os músicos e matar-lhes a sede. Vinha um pregador de fora, pago a peso de ouro, para exaltar a santidade do bem-aventurado que servia de pretexto à festa e, só isso, era um sério encargo para os paroquianos e preocupação para os mordomos.

Assisti a sermões empulgantes. Não, não eram empolgantes, como o leitor já pensará, imaginando-me um prevaricador ortográfico que deixou escorrer a nódoa para o pano da crónica. Os sermões, a missa, o terço e as novenas eram deveras empulgantes por causa do calor e dos animais com que as pessoas conviviam – fora da igreja, claro.

A fé era retribuída com pulgas cujas picadas espalhavam o prurido, independentemente do ar empolgado dos devotos enquanto ouviam as palavras rebarbativas do pregador, justificativas dos honorários, possuídos do mesmo êxtase místico com que ouviam o latim da missa, que sempre os maravilhava.

Talvez, quem sabe, esse deslumbramento tenha guiado Bento XVI no regresso ao latim.


* Memórias do Cume

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Baile de Natal



Meus caros,

Serve a presente mensagem para informar que no dia 25/12/2008 haverá baile na Miuzela.

Que venham todos!

Boas festas!!

Sexta-feira, Novembro 21, 2008

Almoço de Natal da Miuzela, na Casa de Almeida


Caros Miuzelenses!


Venho avisar todos os interessados, esperando que sejamos muitos, que à semelhança dos anos anteriores vai haver o Almoço de Natal da Miuzela, na Casa do Concelho de Almeida, no dia 8 de Dezembro de 2008.

A marcação da reserva deve ser feita por telefone para:
  • 210 167 334, ou
  • 918 370 139

Obrigado e até lá!

Miuzela Arriba!

Quarta-feira, Outubro 01, 2008

A queimadela do antraz (Crónica)

Era Verão. Na rua, junto à casa dos meus avós maternos, o tanoeiro do Jardo afeiçoava tábuas de carvalho antes de as equilibrar sobre um calhau, à volta do qual crepitava uma fogueira de lume brando, e de lhes amarrar pedras nas extremidades para as vergar adequadamente e produzir aduelas.

Com uma giesta, mergulhada num caldeiro de água, molhava regularmente as tábuas expostas ao calor e logo voltava à plaina e à enxó a desbastar outras que se seguiriam para tomarem a forma ajustada e substituírem as que o tempo e a acidez do vinho tinham carcomido num tonel de cem almudes.

Pela rua seguia o Ti Portas, do Sabugal, soprando a gaita de capador, à espera de porcos, vitelos, cães, gatos e outros machos cujos donos decidissem pôr termo à alegria dos bichos, fosse para preservar o sabor da carne ou para os obrigar ao sedentarismo que o cio não permitia.
Os animais de grande porte eram levados ao tronco do ferrador e os cães e gatos entalados entre uma porta e o batente enquanto duravam a cirurgia e os queixumes.

De estômago composto, com meio trigo, uma peixota de bacalhau frito e meio quartilho de vinho, retemperadas as forças, as contrabandistas abandonavam a taberna para retomarem as cargas e rumarem ao destino, com alpercatas, pana, chocolates, bolachas e outras encomendas.

Um presságio afastou-me do tanoeiro para subir as escadas de casa, a correr, depois de ver entrar o Ti Capas, o Medo, o Zé Mateus e o Bodo, que eram usuais nas fainas agrícolas mas não era hábito, àquela hora, entrarem em casa de meus avós.

O avô andava doente, consumido por um antraz que lhe aparecera na barriga, mas resignado, habituado ao sofrimento e aos baldões da sorte. Fora cedo para a Argentina a bordo de um navio em cujo porão viajou para voltar tão pobre como partira. Pouco tempo depois de casar não o matou um carbúnculo porque lho queimaram e, com ele, o nervo óptico que lhe cegou um olho.

No lume, o cabo de um garfo de ferro, com os dentes virados para fora da lareira, incandescia. Olhei o meu avô, que, da cadeira onde se sentara, me devolveu um olhar de ternura, afecto reservado ao primeiro neto, enquanto a avó Anunciação, com voz doce, me dizia para ir brincar.
Saí com vontade de chorar. Pressenti que iam fazer mal ao avozinho, mas não percebi o silêncio, nem a presença dos homens, nem o lençol de linho feito em tiras. Cruzei-me nas escadas com o António Ferreira, o último a chegar, talvez atrasado por mor de alguma besta que estivesse a ferrar.

O António Ferreira era ferrador por necessidade e clínico por vocação. O fogo era o tratamento que aplicava na ciática e noutras moléstias e não lhe faltavam clientes. Haviam de suceder-lhe o Jaime Gil e o Américo Ferrador na arte de aparar os cascos dos bovinos, muares, burros e cavalos e no jeito de lhes afeiçoar e pregar as ferraduras, mas nunca o imitaram na clínica.

Nessa tarde, ao descer as escadas, afastava-me do ambiente pesado que se vivia na cozinha dos meus avós enquanto regressava, indiferente, a observar o tanoeiro. Só o percebi quando um grito lancinante do meu avô, logo abafado por alguma almofada, me fez compreender a razão daquele cabo de garfo em brasa, a presença dos trabalhadores e a visita do ferrador.

Vi descer o António Ferreira, que tinha sido o último a entrar e era o primeiro a sair, a falar sozinho, queimei bem a raiz, queimei-a bem, e lá foi rua acima, de regresso a outros afazeres.
Ansioso, subi as escadas, duas a duas, a correr, num esforço apreciável para pernas tão curtas. O avô Paulo já estava na cama e a minha avó pediu-me para não o incomodar. No ar, um cheiro doce a carne queimada agoniava-me e eu só pensava em ver o meu avô, em dar-lhe um beijo, em conversar com ele; mas só no dia seguinte pude vê-lo, ainda com febre, feliz por me ver, esquecido das dores, contidos os gritos e gemidos que durante a noite se ouviram.

Ainda viveu mais uma dúzia de anos, número igual ao das férias grandes, Natal, Carnaval e Páscoa em que a ternura dos avós e a autonomia que me concederam, criaram em mim o gosto pela liberdade e formaram o cidadão.

Até ao dia 2 de Março de 1961, quando, da cama onde agonizava, o avô me agarrou a mão, balbuciou de forma quase imperceptível, Caarrlos, e se despediu. Era noite.

Carlos Barroco Esperança

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Viagem de fim de férias (Crónica)

Com o céu enevoado e as nuvens a anunciarem borrasca, no penúltimo dia de Agosto, dei um passeio por velhas aldeias que neste mês voltaram à vida, sobretudo nos dias de festas canónicas, e já se encontram de novo desertas.

Saí de Almeida para comprar umas bolas de carne, na Reigada, para enfeitar a mesa no dia da Feira Nova, em 1 de Setembro, destinadas a parentes e amigos que ainda vêm. O forno estava alugado aos de Vilar Formoso para confeccionar doces para a festa do dia seguinte. Não faz mal, amanhã é domingo e coze o que hoje devia, o Inferno foi extinto, é preciso ganhar o pão de cada dia, ficaram as bolas encomendadas.


Passei por Vilar Torpim onde não enxerguei vivalma. A aldeia tinha o ar de ter sido habitada em época recente mas estariam os autóctones fechados em casa, quiçá receosos ainda das lutas liberais.Tomei café em Figueira de Castelo Rodrigo. Havia afinal gente nos restaurantes, jovens nas esplanadas dos cafés e repuxos a esguichar num lago que há-de ter surgido para um autarca ganhar eleições. Havia vida na sede de concelho, até crianças a quem os pais hesitaram entre o gelado e o tabefe acabando por aceder ao pedido e abdicar do desejo. As vilas ainda se mantêm graças à hemorragia das aldeias e aos empregos municipais.


Passei pelo convento de Santa Maria de Aguiar, por Nave Redonda, que me pareceu fechada e parei junto à barragem de Santa Maria de Aguiar um razoável lençol de água vulgar apesar da santidade do nome que não lhe evita a conversão em charco ou a seca em estios mais cálidos.


Em Almofala, fiel a um velho hábito, entrei na igreja onde duas piedosas mulheres que mudavam as flores aos santos me acenderam as luzes e dois homens desmanchavam os andores de uma festa recente para os despacharem para a sacristia. Não cuidei da destruição castelhana em Outubro de 1642 e passei por Escarigo cujo martírio na Guerra da Restauração foi maior sem me deter na igreja matriz cujo tecto e talha dourada valem a viagem. Foi José Saramago, em «Viagem a Portugal», que me alertou para essas jóias da arte sacra numa aldeia que guarda memórias e afectos da minha juventude.


Apenas me compadeci de uma velhinha de olhos vagos, com a pele curtida de muitos sóis, absorta, indiferente à passagem do automóvel, perscrutando no horizonte o futuro que lhe resta ou recordando o passado que lhe coube. Estava só, na soleira da porta, sem raios de sol que a aquecessem, sentada, com o céu pesado de nuvens.


Alguns quilómetros depois, atravessei a Vermiosa. Apenas um velho, também só, via o tempo passar do banco de pedra onde jazia a bengala que, decerto, lhe serviria de amparo na volta. Mais à frente estava um cão escanzelado, imóvel, indiferente às pulgas e carraças, se acaso as tinha, e milagre era não tê-las, resignado, deitado na terra.


Dos dois seres vivos que encontrei na aldeia, outrora pejada de gente, o cão, pequeno rafeiro sofredor, foi a mais eloquente metáfora dos que teimam em ficar nas aldeias que outrora foram um alfobre de gente e são hoje um cemitério de recordações.


Nem dei por passar em Malpartida no regresso à casa. Espero pela Feira Nova que ainda há-de juntar gente e partirei logo.

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Mais um grande Evento a Ocorrer na MIUZELA - dias 6 e 7 Setembro


Segunda-feira, Agosto 25, 2008

semana da juventude - Miuzela 3






Domingo, Agosto 03, 2008

MIUZELA AO CUBO




Terça-feira, Julho 08, 2008

Miuzela vista do alto

Para aqueles que desejam num piscar de olhos poder recordar a sua terra Natal, e lembrar-se de todas as ruas, casas campos...nada melhor que subirmos uns poucos de metros acima da superficie da "capital" e ter uma vista privilegiada.

http://www.flashearth.com/?lat=40.510982&lon=-7.005175&z=17&r=31&src=msl

Com imagens actualizadas.

Terça-feira, Julho 01, 2008





Terça-feira, Junho 17, 2008

Descida do rio Zezêre - dia 21 junho

Aqui estão os destemidos:
josé
cesar
joão
gabriel
eugénio
claudia
rita
ricardo
(rita)amiga da rita
elisabete
inês
rafael
toninho
elizete

Estes outros vão passear pelo alto Ribatejo e partilhar do churrasco :
Mila e marido
Isabelle Ladeiro e marido
Manuel leva a esposa e a filha
Fátima, marido e o filho

Observações:
para quem vai de comboio
Partida: Oriente -8h39
Chegada: Praia Do Ribatejo - 10h10
Duração: 1h31

para os que pretendem levar viatura própria o ponto de encontro é ás 10h na estação de comboios da praia do ribatejo

quem ainda estiver interessado poderá confirmar a sua presença até dia 18 de junho.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Canoagem dia 21 de Junho

Por motivos alheios à Organização (mais do S.Pedro) fica adiada a descida do rio Zêzere para o próximo dia 21 de Junho.
Estão todos convocados :)

Terça-feira, Maio 13, 2008

DESCIDA DO ZÊZERE - dia 31 de Maio


Descrição do Percurso

  • Barragem de Castelo de Bode -> Vila de Constância - 10 Km
  • Dificuldade: mínima / média
  • Duração: 2:00h a 3:00h
  • Preço: 15,00 € por pessoa para grupos superiores a 12 pessoas **
  • Encontro: Estação de Comboios da Praia do Ribatejo
  • Horas: 10:00 da manhã
  • Inscrições: até dia 25 de Maio
  • por e-mail:goncalvespinto@gmail.com ou telefone: 965461421
** Incluí
Refeições
  • Kayak duplo ou simples
  • Colete e pagaia
  • Seguro de acidentes pessoais (conforme a legislação)
  • Monitor qualificado (segurança e enquadramento)
  • Transporte para o local de início da actividade
  • Água e fruta. (lanche a pedido)


PIK NIK:
Churrascada mista regional á Beira Rio: 5,00 €

Quarta-feira, Maio 07, 2008

PRÉMIO PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO

ENSINO BÁSICO - 1 º CICLO

2007-2008



A Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto deliberou voltar a atribuir no corrente ano lectivo o “Prémio Ensino Básico – 1 º Ciclo”.

Nos anos anteriores, o prémio foi sistematicamente ganho por alunos que frequentavam a Escola da Miuzela. Sem prejuízo do interesse que nos merecem os alunos desta escola, decidiu-se insistir no alargamento do concurso a todos os jovens naturais ou descendentes de naturais da Miuzela, que frequentem o 4 º ano do ensino básico em qualquer outra escola, do país ou do estrangeiro.

Pretendeu-se com esta alteração envolver no concurso o maior número dos filhos da comunidade Miuzelense, onde quer que vivam e estudem, incentivando-os a conhecerem melhor a «Terra e as Gentes da Miuzela», a sua história, cultura, património, tradições e valores, e promovendo simultaneamente o fortalecimento das suas ligações à comunidade onde têm as suas raízes. E muito gostaríamos que tal acontecesse.

Pede-se para isso aos pais que estimulem os seus filhos a concorrer e que os apoiem na elaboração do texto sobre os “Usos e Costumes da Miuzela”. Desta forma, fazendo pedagogia e promovendo o conhecimento da Terra e das sua Gentes, vamos lembrando a memória do ilustre Miuzelense que foi o Professor Doutor José Pinto Peixoto.

Transcreve-se, a seguir, o regulamento do concurso.


REGULAMENTO


1-A ASSOCIAÇÃO CASA DE CULTURA PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO, com sede em Miuzela, concelho de Almeida, para homenagear a memória do seu patrono, entre outras iniciativas, decidiu instituir a atribuição anual de um prémio, denominado “PRÉMIO PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO – ENSINO BÁSICO - 1 º CICLO”.

Honrando o Homem, o Professor e o Cientista, a Associação pretende também, através deste prémio, divulgar a terra, a figura, a vida e a obra do seu patrono e, desta forma, exercer uma acção pedagógica dirigida especialmente às gerações jovens.

2-Podem concorrer ao prémio os alunos que, no ano lectivo 2007 – 2008, frequentem o 4 º ano do ensino básico – 1 º ciclo na Escola da Miuzela, bem como aqueles que, sendo naturais ou descendentes de naturais da Miuzela, o frequentem em qualquer outra escola do país ou do estrangeiro.

O concurso é feito através de carta registada, enviada para a seguinte morada:

Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto

Prémio Ensino Básico – 1 º Ciclo

a/c Augusto José Monteiro Valente

Rua Infanta D. Maria, n º 446 – 6 º D

3030 – 331 Coimbra

3-O Prémio terá o valor global de 250, 00 € euros, distribuído por.

1 º Classificado: 125,00 euros.

2 º Classificado. 75,00 euros .

3 º Classificado: 50,00 euros.

4-Da candidatura deverão fazer parte os seguintes documentos:

4.1-Carta de candidatura, donde conste o nome do concorrente, endereço postal, número de telefone para contacto eventual e, no caso de ser aluno de escola fora da Miuzela, informação sobre as ligações familiares do concorrente a esta freguesia.

4.2- Documento passado pela escola respectiva, que comprove que o candidato frequenta o 4 º ano do ensino básico – 1 º ciclo, no ano lectivo 2007-2008.

4.3 - Texto manuscrito, com o máximo de 200 palavras, sobre o tema “Usos e Costumes da Miuzela”.

4.4- Fotocópia do Bilhete de Identidade do concorrente e, no caso de ser aluno de outra escola e não ser natural da Miuzela, dos seus ascendentes, de forma a comprovar a descendência de pessoa da Miuzela.

Parágrafo único: Serão consideradas nulas as candidaturas que não se façam acompanhar do documento mencionado neste número.

5- A data limite para a entrega das candidaturas é o dia 30 de Junho de 2008 (data de registo do correio).

6-Júri de apuramento dos concorrentes premiados.

6.1- Será constituído por:

  1. Dois membros da Comissão Instaladora da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, sendo um deles o Presidente da Comissão.

  2. Um elemento designado pelos familiares do Professor Doutor José Pinto Peixoto.

  3. Um elemento designado pela Direcção do Centro Social, Cultural e Desportivo Miuzelense.

  4. Um sócio da Associação, natural da Miuzela, designado por comum acordo dos elementos referidos nas alíneas anteriores.

6.2-No caso da falta de algum dos elementos referidos nas alíneas b) ou c) do número anterior, o mesmo será substituído por outro sócio da associação, natural da Miuzela, designado por comum acordo dos elementos restantes.

6.3-O júri funcionará sempre com 5 elementos, que escolherão o presidente entre os seus membros.

6.4- Da reunião do júri será lavrada acta.

7-Atribuição do prémio

7.1- O júri atribuirá os prémios aos concorrentes por avaliação qualitativa dos textos recebidos.

7.2- As decisões do júri deverão ser subscritas por, no mínimo, 4 dos seus elementos.

7.3 -Das decisões do júri não cabe recurso.

8-A decisão do júri deverá ser conhecida até ao dia 10 de Agosto de 2008.

9-A entrega do prémio deverá ter lugar na Miuzela, durante a “Sessão de Verão” a realizar no mês de Agosto de 2008.

10-A documentação do concurso será destruída no mesmo dia da atribuição do prémio, na presença de, pelo menos, dois elementos da Associação, sendo tal facto registado em acta.

11-Divulgação do prémio

11.1-O prémio será divulgado localmente, através do Jornal e Blogue “Miuzela Arriba”, do “site” da Associação www.associacaoprofesorjpintopeixoto.org e, eventualmente, de outros “sites” relacionados com a Miuzela.

12- Bibliogarfia de apoio:

- José Pinto Peixoto: “Miuzela – A Terra e as Gentes”, edição do autor, Lisboa, 1996.

- José Afonso Brardo:” Miuzela do Côa – Memórias para uma Monografia”.

- José Pereira da Silva: “Miuzela do Côa – Memórias e Factos”, Casa Véritas, Editora Lda, Guarda, 2002.

- Outras publicações de autores da Miuzela.

- Artigos publicados no “Miuzela Arriba” e “Praça Alta”.














Quarta-feira, Abril 30, 2008

O caminho-de-ferro da minha infância

(Foto enviada por David Alexandre)
Da estação da Guarda, às 13H02, sai o comboio que, após 43 minutos, à tabela, mostra os belos azulejos da estação de Vilar Formoso, povoação onde a Europa começa a ser Portugal e donde, em tempos de emigração maciça, se procuravam trilhos próximos que permitissem o salto para França na fuga à miséria e à polícia.

Na última sexta-feira de Março viajei nesse comboio repetindo um trajecto habitual da infância e da juventude, arquivadas ainda na memória as curvas dos carris e a orografia do terreno que os bordeja.

As casas parecem-me agora mais pequenas porque os olhos já não vêem como então e a escala decerto se alterou. As pessoas, não as que conheci, mas outras que as deviam ter substituído, sumiram-se com o tempo ou, naturalmente, refugiaram-se noutras paragens.

As terras ficaram, não conseguiram fugir das pedras que as prendem para não abalarem, fazendo-se ao caminho como as pessoas que lhes davam vida. Estão agora mais secos os pastos e abandonados os campos. Nos meus tempos de criança havia gente em todo o lado, pessoas que se reconheciam à vista desarmada, animais que obedeciam à voz do dono, vizinhos a quem recorrer em momentos de aflição ou necessidade.

Agora é o silêncio a pontuar a linha do horizonte, algumas gestas a romper por entre as pedras, um ou outro pinheiro onde ia jurar que houve castanheiros e carvalhos, silvas onde já vicejou o milho e donde desapareceram os tojos e o rosmaninho.

Gata, Vila Garcia, Vila Fernando e segui o rio Noémi, a ribeira da minha infância, com o olhar ansioso de quem escava a memória à procura de recordações. A ribeira levava paradas as águas neste princípio da Primavera, alheia ao equinócio recente e à morte que lhe levou os peixes e as redes. Tentei ouvir a água que saltava as penedias e polia as pedras mas a janela devolvia-me silêncio. Tentei com a porta aberta, depois do Rochoso e da Cerdeira, na Miuzela e no apeadeiro do Noémi. O silêncio mantinha-se e a água cristalina que quis recordar foi substituída por um líquido espesso, de cor baça, à espera de dias de canícula que o capturam em charcos, primeiro, e o secam a seguir.

Onde havia poldras há agora pontões. Outrora ficavam submersas aquelas, durante as chuvas, agora servem os últimos para evitar o declive do leito esculpido pelas águas.

Na Miuzela ainda vi a veiga que foi dos meus avós, nesga de terra donde desapareceu a nogueira e que, decerto, já não produz batatas. Estava abandonada, não sei se tem dono, préstimo já não tem com certeza. Estas tiras de terra, junto à ribeira, alimentavam gente ou talvez fossem as pessoas que ali se consumiam lentamente na ilusão de que eram os campos que as sustentavam.

Os amieiros não tinham folhas, por ser tempo da caducidade ou por mor de moléstia que lhes deu, não sei dizer, talvez aquele líquido que escorre os tenha condenado, mas ainda se perfilam nas duas margens a indicar o trajecto quando, daqui a uns dias ou meses, a água ou o que quer que a substituiu de todo se evaporar.

Os moinhos desmoronaram-se por falta de serventia. Minguou-lhes o grão e o moleiro, faltou-lhes a água que fazia rodar as mós, e foram ruindo tombados pelos anos e pelo abandono.

Os lanchais a perder de vista têm hoje as gestas que os padeiros da Miuzela e os oleiros da Malhada Sorda não deixavam crescer. E desapareceram as hortas. Não foram para as sepulturas com os braços de quem as amanhava, elas próprias acabaram cemitérios de si próprias, na aridez do abandono, no peso sepulcral da terra que não é mexida.

Só as silvas vicejam. Do comboio de meios bilhetes, onde ninguém viajava com menos de 65 anos, vá lá saber-se porquê, saíam velhos que ninguém esperava nos apeadeiros e seguiam em passo incerto para as casas feitas, quiçá, com as poupanças da emigração, agora mausoléus de vivos, no prazo que ainda lhes resta, que em tempos foram orgulho das economias feitas lá fora.

As retretes dos caminhos-de-ferro chamam-se agora Senhoras, do lado esquerdo, e, do lado direito, Homens. Ainda não tinha cinco anos quando a minha mãe confirmou que eu já sabia ler. Foi quando lhe disse que sabia o nome da estação onde o comboio se abastecia de água e lenha, apontando com o dedo: Retretes.

A Quinta da Ribeira dos Abutres virou Aldeia de S. Sebastião no tempo do salazarismo, benefício pio que ao regime ficou de graça e tornou devedora a povoação. Caducada a dívida, ou por economia, no apeadeiro figura hoje apenas o topónimo Aldeia, isento da santidade e do patrono.

A seguir é Vilar Formoso. Os bancos já não são de madeira como os dos jardins, são de pano, com imensas nódoas, mais confortáveis, pouco frequentados. A máquina não pára nas subidas como outrora, quando era verde a lenha e molhada pelos fornecedores que a vendiam a peso.

As pessoas desapareceram e, sem elas, sem o ruído das noras, os chocalhos das cabras e o chiar dos carros de bois, vai morrendo o que resta da memória e da vida do que foi um alfobre de gente, o viveiro que povoou o litoral, a reserva de soldados da guerra colonial e a mão de obra que rumou à Europa.

No silêncio da terra que deixámos vemos a nossa própria voz a esgotar-se.

Terça-feira, Abril 29, 2008

Nova edição do Jornal "Miuzela Arriba"

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Quinta-feira, Abril 10, 2008

Veredas do contrabando, trilhos da sobrevivência


Quando da vida já percorremos parte substancial do caminho que nos coube e falta ainda o que ignoramos, assalta-nos a vontade de exumar da memória as pessoas que eram amigas dos nossos avós e foram nossas também.

Em meados do século passado o contrabando era um crime que tinha uma força policial dedicada para lhe pôr cobro. Não me refiro à candonga de divisas, de favores e de honra, que essa não tinha quem a refreasse e não lhe faltava quem a protegesse.

Menciono o contrabando de azeite ao dorso de machos que caminhavam lestos com dois odres, seguidos do dono, ou de pães de trigo amassados ao torno - «trigos espanhóis» -, comidos à mesa dos mais ricos ou dos remediados, em dias de festa canónica, e que chegavam de Espanha nas costas vergadas de aldeãs.

Eram cortes de pana que vinham de encomenda e cujo lucro se sumia na carga apreendida, os chocolates da Senhora das Candeias, as galletas, alpercatas, caramelos e outros bens escassos com que mulheres determinadas cruzavam a raia de Portugal até à casa do consumidor, que ora evoco.

Ver na luta pela sobrevivência mulheres de corpo tão débil e coragem tão forte era um apelo á conivência com as autoras do delito e à suspeita e animosidade para com a Guarda-fiscal. Como poderiam ser delinquentes a senhora Margarida e a sua cunhada Ana que iam a pé da Malhada Sorda até Almedilla para satisfazerem as freguesas e subsistir com os escassos ganhos do arriscado viver? E que dizer da Ti Esperança e da Ti Maria Josefa, que iam da Miuzela do Côa, e de tantas outras com o corpo alquebrado dos fardos e as alpergatas rotas pelas asperezas do caminho?

Também havia homens que andavam na candonga, vivendo os mesmos medos e angústias, sem lhes minguar o tempo para encherem de filhos as mulheres, próprias e alheias, mas fui sempre mais apiedado dos sacrifícios e tormentos das mulheres, convicto de que seriam nelas mais sofridos os espinhos.

Faziam seis léguas, calcorreando os trilhos da sobrevivência, com o temor dos guardas que lhes tolhiam o passo e lhes assaltavam as cargas. Iam em grupo e voltavam desgarradas dezenas de metros para que a infelicidade de umas as não atingisse a todas. Depois, lá estava a solidariedade das que escapavam a abonar as vítimas que teimavam no ramo a fazer pela vida.

Era assim, vergadas ao peso e ao medo, que viajavam a pé num raio de três ou quatro léguas que percorriam nos dois sentidos. Para irem mais longe, até à cidade da Guarda, onde eram mais endinheiradas as freguesas e substanciais as encomendas, iam as pobres contrabandistas no trama que tomavam no apeadeiro da Quinta da Ribeira dos Abutres, crismado como Aldeia de S. Sebastião depois de uma febre pia que percorreu o país, na Freineda ou no Noémi, após um sinal enviado do comboio de que não havia perigo, isto é, não iam guardas-fiscais a bordo.

Depois eram rápidas a repartir as cargas por passageiros conhecidos e a defendê-las de um eventual assalto policial que podia surgir mais adiante. Nem sempre venciam as contrabandistas, às vezes ganhavam os guardas surgidos noutro apeadeiro que confiscavam a mercadoria e indagavam quem era o dono perante uma carruagem de mudos. Se tudo corria bem, quando o comboio abrandava a marcha, a duas ou três centenas de metros da estação da Guarda, rolavam as cargas bem acondicionadas para uns lameiros onde iriam depois procurá-las.

Era neste jogo do gato e do rato, um jogo de que dependia a sobrevivência das contrabandistas e dos guardas-fiscais, que circulavam as mercadorias e se respondia às urgências de uma economia de subsistência e à ineficácia dos circuitos comerciais.

Despachados os artigos e arrecadada a paga, esperava-as o caminho inverso, a passagem por casa, onde havia trabalhos domésticos em atraso, e, de novo, com um parco farnel que tragavam em andamento, lá voltavam aos trilhos bem conhecidos, labirintos que em noites de Lua Nova só as mais experientes atinavam. E o cuidado que era preciso ter para evitar tropeções nas pedras largadas na última passagem ou nas gestas atadas para que nelas esbarrassem os guardas e, quantas vezes, por mor disso, nelas se estatelavam as próprias.

Eram ásperos os trilhos do caminho, tanto quanto os da vida que lhes coube, a epopeia sem alternativa e o destino que o instinto de sobrevivência e a geografia lhes marcaram. Ainda hoje sinto os beijos meigos dessas mulheres que me confiavam o segredo do esconderijo das cargas, detrás da lenha do palheiro dos meus avós, e me deixavam a colocar molhos de vides para melhor as dissimular enquanto repunham as forças com meio trigo da Miuzela, uma posta de bacalhau frito e meio quartilho, antes de perscrutarem fardas nas redondezas, recuperarem as cargas e retomarem a marcha.

Segunda-feira, Março 17, 2008

GINÁSTICA LOCALIZADA / AERÓBICA

Vocacionada para adultos que sintam que podem ajudar a restaurar a saúde e a flexibilidade do corpo e da mente.
Ministradas em sessões de 45 minutos uma vez por semana, por um profissional experiente, com um custo por sessão de apenas 2,5 € (será de 2 € para associados do Centro Social Cultural e Desportivo Miuzelense).
Se quiseres participar inscreve-te: (número de lugares disponíveis limitado a 12 participantes)
contactos: miuzela.centro@gmail.com
965461421

Quarta-feira, Março 12, 2008


Terça-feira, Março 04, 2008

Miuzela

Miuzela é uma freguesia Almeida, com 14,20 km² de área e 432 habitantes (2001). Densidade: 30,4 h/km².

Actividades económicas: Agricultura, pecuária e indústria de aguardente.

Festas e Romarias: S. Sebastião (móvel, Agosto), Procissão dos Passos (Corpo de Deus) e Dia de Todos os Santos.

Feiras Mercado mensal (entre 22 e 28 de cada mês).

Património: Igreja matriz, Escola Primária, torre do relógio, sepulturas celtas, fonte do mercado, Monumento às Vítimas do Colonialismo, calvário, capelas de Santa Luzia, de Santa Bárbara e de S. Martinho, fontes de mergulho, ponte românica de Sequeiros, forno comunitário.

Outros locais: Rio Côa, rio Noemi, sepulturas cavadas na rocha, zona histórica da freguesia.

Gastronomia: Cabrito assado, enchidos, pão de Miuzela, manjar de caça e vinho de Miuzela.

Artesanato: Albardas, foles, miniaturas em cobre, tapetes Molide e pão cozido a lenha.

Colectividades: Centro Social, Cultural e Desportivo Miuzelense (inclui Rancho Folclórico Infantil e Adulto), Associação do Sagrado Coração de Jesus e Associação das Almas.

Ficam alguns dados para quem aqui chegue conheça um pouco mais sobre a MIUZELA

Domingo, Dezembro 23, 2007

Natal


Quando eu nasci, a quatro dias do solstício de Inverno do ano de 1942, ia a meio a guerra que grassava na Europa e alastrava pelo mundo, não havia Natal na casa dos pobres. E pobres eram quase todos, também aqueles que os mais pobres diziam ricos por o serem menos.

A guerra, não aquela que a Senhora de Fátima dissera à Lúcia que ia acabar mas a seguinte, mais devastadora, que nenhuma delas (a Senhora de Fátima ou a Lúcia) sabia então que eclodiria mais tarde, dizimava nações e judeus na orgia anti-semita de renascidas rivalidades tribais herdadas pelo Império Romano, com erros de tradução, e na volúpia de interesses económicos que eu desconhecia.


Não havia de facto Natal embora eu só o pudesse saber alguns anos depois numa aldeia muito mais pobre onde não ia o Menino Jesus por não ter onde deixar as prendas, dado andarem descalços os meninos e não terem as casas chaminé por onde descer. Em minha casa eram os meus pais que o substituíam comprando alguma roupa de que os filhos andassem precisados, guloseimas e, às vezes, um carrinho de corda no meu sapatinho e bonecas nos das minhas irmãs.


Os meninos sabiam que era Natal − talvez o fosse noutras localidades… −, por ouvirem dizer em casa e na catequese e por verem os anjos, na igreja e na escola, pendurados em fios, a fazerem voo picado sobre os presépios. E eram bonitos os presépios porque eram coloridos os músicos da banda, os camelos e os reis magos, as ovelhas e o cão, e o burro e a vaca que, à falta de outra energia, aqueciam S. José, a Virgem e o Menino, saídos todos da paciência e perícia de um oleiro.


Nas casas, o vento e o frio entravam pelos buracos das paredes e fisgas da telha vã levando chuva ou neve que se fundia por entre o fumo da lenha húmida enquanto as fonas caíam na mesa “de preguiça” que, girada a cravelha, desencostava da parede rodando as dobradiças e equilibrando-se na única perna que a nivelava. Era ali que fumegava a sopa e as parcas vitualhas que chegavam à mesa dos pobres onde o Natal não ia.


Na cidade havia polvo seco, a partir de Novembro, dependurado do tecto das mercearias e enormes peixes de bacalhau da Noruega que as pessoas não imaginavam ser um país mas sabiam os merceeiros que a referência à origem valorizava a mercadoria. Mas quem podia almejar tais iguarias com o jornal, quando o havia, a oito mil réis (oito escudos) os homens e a cinco as mulheres, para arranjar pão que os garotos, que nasciam como cogumelos, logo devoravam.


No solstício de Inverno era o frio que comandava a tosse e o catarro, trazia as amigdalites e a febre e substituía o Natal de outras paragens pelo chá de cidreira, a escaldar, e a enxerga que amparava o corpo. A fé exigia orações mas à força do hábito as pessoas balbuciavam-nas como quem fala só, sem saber porquê.


A ausência de Natal não impedia a liturgia e as orações. Diz-me a observação que a fome faz bem à alma, desperta a piedade e aproxima as pessoas do divino, mas ainda hoje me interrogo como podiam os pobres agradecer a refeição que não lhes matava a fome e, algumas vezes, era a fome que os matava a eles.


Celebrar uma festa, seja pelo nascimento de um Deus ou de um filho, exige comida para aconchegar o estômago e líquidos capitosos que soltem a língua e o regozijo e dêem às reuniões o júbilo que o estômago vazio e a sede indeferem.


Naquele tempo, nas aldeias mais pobres da Beira Alta, disse-o há pouco e já o repito, não havia Natal. Só no calendário. As crianças andavam descalças sobre palha, ouriços e folhas que apodreciam na rua para adubo dos campos, sempre avaros a produzir, e recolhiam a casa a tiritar de frio sem que à mesa notassem a mais leve suspeita do nascimento de algum Deus.

Com as senhas de racionamento a não poderem ser levantadas pelos pobres, por falta de dinheiro, lá iam os géneros para a candonga enquanto os infelizes se resignavam à sorte que lhes cabia. Na missa o padre José Dâmaso recordaria a protecção divina que confiou Portugal ao homem providencial que nos livrou da guerra e punha as pessoas a rezar para que Deus desse a Salazar vida longa e o iluminasse com a sabedoria. Só o primeiro pedido foi atendido mas, nessa altura, ninguém o adivinhava. Nem adivinhava, tão-pouco, que, tendo-nos livrado dessa guerra – como dizia o padre Dâmaso –, nos reservaria outra, mais adiante no tempo.


Hoje, quando regresso à minha Beira natal recordo os meninos pobres da aldeia onde não volto com medo de ainda achar aquela fome que vi nos olhos dos que não comiam, com remorso de ter comido, com vergonha da sorte que me cabia.


Anos mais tarde despovoava-se o país de homens, sangrado na loucura da Guerra Colonial e na vaga da emigração clandestina, para fugirem à fome uns, para fugirem à guerra e à fome outros, enquanto as mulheres mantinham as terras a dar o que era possível e punham os filhos a estudar, numa lenta e inexorável transformação que mudaria a face de Portugal. Tinham-se alterado os costumes quando a fome se afastou e no sítio dos presépios da minha infância começaram a surgir árvores de Natal e prendas em papel colorido trazidas pelo Pai Natal em trenós puxados por renas.

Naqueles anos não havia Natal porque a pobreza o não permitia. Faltou-lhe depois o afecto que unia as pessoas e o vagar que dá tempo às celebrações e aos rituais. Antes não era por falta de fé ─ tão parcas eram as vitualhas que as pessoas enganavam a fome a cuidar da alma ─, era por falta de posses para fazer a festa. Agora, vai deixando de ser pretexto para os encontros de família à medida que as pessoas aderem a novas liturgias nas catedrais do consumo e se vão desinteressando do nascimento do Deus que lhes ensinaram.


Do Natal que foi nos sítios onde o havia e do que não era nas localidades onde não chegava resta a memória dorida de um país cujo progresso estava em sintonia com a imobilidade das figuras do presépio.

Revista de Natal - Jornal do Fundão, 20-12-2007

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

saiu a nova edição do "Miuzela Arriba"....ufa ufa!!

faz o download aqui

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

ALUNO DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE MONSERRATE, VIANA DO CASTELO, VENCE O “PRÉMIO NACIONAL PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO – ENSINO SECUNDÁRIO 2006/2007


Ricardo Jorge Pimentel Soares dos Reis, que no último ano lectivo concluiu o ensino secundário na Escola Secundária de Monserrate, em Viana do Castelo, venceu o Prémio Nacional - Ensino Secundário 2006/2007, atribuído pela Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, com sede em Miuzela.
Puderam concorrer ao prémio todos os estudantes que concluíram o ensino secundário no ano lectivo de 2006/2007, conforme o respectivo regulamento divulgado pelo Ministério da Educação, Direcções Regionais de Educação e pela própria Associação que o instituiu.

O vencedor é natural de Viana do Castelo, reside nesta mesma cidade, tem 18 anos de idade. Foi o concorrente que apresentou as médias mais elevadas das classificações finais do ensino secundário (20 valores) e para acesso ao ensino superior (198).
O Júri reuniu no passado dia 2 de Novembro, presidido pelo Presidente da Associação, Major-General Augusto José Monteiro Valente. Foram apreciadas dez candidaturas, duas com as médias finais de 20 valores, três com 19 e as restantes cinco com 18. Curiosamente, foi a primeira vez que um aluno venceu este prémio. Criado no ano de 2002, os vencedores nos cinco anos anteriores foram sempre alunas. Só num dos anos o premiado foi aluno do ensino particular .
A propósito do prémio, em recente ofício dirigido à Associação, o Ministério da Educação considerou-o “uma iniciativa louvável e merecedora do maior apreço, não só pela homenagem que presta a um cientista português que desenvolveu uma carreira de especial relevância na área da ciência, mas também pelo significado que assume perante os jovens como exemplo de atitudes a desenvolver, designadamente de perseverança, empenho e trabalho árduo na prossecução de objectivos académicos e profissionais”. Sobre o Professor Pinto Peixoto disse o vencedor do prémio, Ricardo Reis: “Morreu o homem, mas deixou a sua marca bem vincada no nosso mundo”. E acrescentou: “Pessoa de energia extraordinária, com um raro entendimento e uma cultura inigualável, Pinto Peixoto é o paradigma do cientista e do professor, mas principalmente do ser humano, enquanto parte activa da sociedade e construtor de um mundo melhor. A sua investigação foi crucial para o estabelecimento dos modelos climáticos actuais, nomeadamente em termos de previsão do tempo, (…) e para o desenvolvimento das ciências climáticas e geofísicas”. Ricardo Reis é agora aluno de Medicina na Universidade do Porto, uma escolha feita pela “perspectiva geral, quase renascentista, que a formação em medicina permite”, segundo as suas palavras, acrescentando que essa abrangência no olhar da ciência encontrou-a também no patrono do prémio, “figura que desconhecia até ser candidato, mas com quem se identificou”. Quanto ao prémio, Ricardo relativiza-o: “Fui o melhor entre os candidatos. Não quer dizer que não haja outros melhores a nível nacional”. Além de estudar, pratica dança de salão, karaté e natação, e prefere a leitura e o cinema às discotecas.
O Presidente da Associação
Augusto José Monteiro Valente

Sábado, Dezembro 01, 2007

ALMOÇO DE NATAL DA MIUZELA

Bom dia!


Como tinha ficado prometido, aqui segue a forma de se inscreverem para o almoço de natal da Miuzela, na Casa do Concelho de Almeida, Algueirão, Sintra. Será dia 8 de Dezembro, sábado pela hora de almoço.

Ligar directamente para a Casa do Concelho de Almeida (que é um restaurante, nos dias normais).

O número é 210167334.

Informar quem atender que é para o almoço da Miuzela.

E já tá!

Miuzela Arriba!!!

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Caros amigos,

Venho avisar todos os interessados (que espero que sejam muitos) para a festa da Miuzela, na Casa do Concelho de Almeida, no algueirão. ao Almoço.

Vão-se preparando!!! :D

Podemos vir a quebrar o record de participação em almoços de aldeias.

Esta festa é dedicada aos Miuzelenses, sendo todos os outros bem vindos obviamente. interessa é fazer um número jeitoso.

Divulguem, sff.

Depois coloco, ou coloquem, os contactos para as reservas.

Almoço Miuzela, 8 de Dezembro de 2007, na Casa do Concelho de Almeida; Algueirão - Sintra


Cumprimentos a todos

Bem haja!

Sábado, Setembro 29, 2007

Pelos caminhos-de-ferro e da vida

O trama era o comboio diário que, vindo de Vilar Formoso, chegava à Guarda um pouco depois das nove horas da manhã e regressava às cinco da tarde em sentido inverso. O nome ficara do inglês Tramway e era exclusivo do referido comboio, bem mais ronceiro e acessível que o correio, o rápido ou o sud.

No último dia de Setembro e nos primeiros de Outubro a 3.ª classe regurgitava de gente e de mercadorias que se acondicionavam nos corredores, debaixo dos bancos, nos cacifos junto ao tecto, nas plataformas de acesso às carruagens e entre os passageiros. Adolescentes de ambos os sexos e várias mulheres entre os trinta e os quarenta anos, envelhecidas por numerosos partos, lides do campo e privações, vigiavam as bagagens que ocupavam todos os espaços vagos, servindo os sacos de batatas, entre os bancos, de estribo aos passageiros.

Na estação da Guarda apeavam-se, reuniam os pertences e transportavam-nos até à paragem das camionetas. Detectados os passageiros sem bagagem, aqueles que tinham muita pediam-lhes para dizerem que era sua a deles, a fim de poderem transportar na camioneta tão vasta carga sem pagamento extra. Recebiam a ajuda pedida e a piedosa mentira tinha a compreensão e cumplicidade do cobrador de bilhetes, que fingia ignorar tão simplória tramóia, não fosse ele também um homem do povo igualmente sacrificado por trabalhos e privações.

Os jovens partiam lestos, a pé, calcorreando a distância que separava a Estação da Sociedade de Transportes, a fim de carregarem as bagagens até casa, quando chegassem. Se a camioneta se adiantasse, lá estariam à espera os volumes e quem os guardava e, às vezes, antecipavam-se eles à camioneta que ia pelo Rio Diz, autocarro vetusto e lento que se queixava do peso e da subida e resfolegava nas paragens. Poupavam os peões o bilhete, que custava 2$50 a cada passageiro.

Entre 1 e 7 de Outubro não havia aulas. O primeiro dia servia para apresentar aos alunos Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo, o Governador Civil, o Presidente da Câmara, o Reitor, o Comissário da Mocidade Portuguesa, excelentíssimos e doutores todos eles. O cerimonial servia para mostrar aos rústicos alunos o poder e a autoridade, o respeitinho era muito bonito, e ensinar a aplaudir quando qualquer deles tartamudeasse umas trivialidades.

Depois era uma semana de azáfama para celebrar os contratos da luz e da água e colocar os contadores, com os putos e as meninas já instalados e separados em quartos transformados em camaratas. A água era fria e o simples acto de lavar as mãos um sacrifício que se fazia com parcimónia, sendo o banho semanal um hábito de gente fina.

Entretanto os alunos deslocavam-se ao liceu a tomar nota da turma, dos horários, das disciplinas e dos livros que era preciso comprar. E aprendiam que no rés-do-chão ficavam as meninas e no primeiro andar os rapazes.

Depois de se inteirarem dos livros que podiam usar dos irmãos mais velhos e dos que podiam comprar em segunda mão, por metade do preço, no Pinto, junto ao cinema, lá iam às livrarias do Sr. Felisberto ou do Sr. Casimiro comprar os restantes e pedir os horários, impressos onde se anotavam os dias e as horas das aulas de cada disciplina, oferecidos pelos livreiros numa gesto de simpatia e boas-vindas.

A maior parte hospedava-se em casas particulares, autênticas colmeias, onde a mesada era paga em géneros: pão, batata, azeite, toucinho, feijão e outras vitualhas, que variavam consoante a origem dos hóspedes e a colheita agrícola da família, com a propina de 100$00 mensais – a única contribuição fixa e sem discussão.

Alguns ficavam em casas de funcionários públicos que arredondavam os magros salários com hóspedes, mas outros tinham o arrimo de uma mulher que aos seus juntava os filhos alheios e a todos cuidava. Eram camponesas cujo instinto fez governantas para darem aos que velavam o futuro que não tiveram.

Foi assim que muitos alunos se iniciaram no ensino secundário. A abnegação das mulheres rurais, tantas vezes analfabetas, duramente arrancadas à casa, ao marido e ao habitat, contribuiu para a escolarização do país e para dar aos filhos um rumo que os afastou da pobreza, e para criar quadros que, a partir de 1960, começaram a mudar a face de Portugal enquanto o imobilismo da ditadura mantinha o paradigma de nação rural, temente a Deus, pobrezinha mas honrada.

Algumas dessas mulheres, heroínas anónimas, moiras de trabalho e de abnegação, ainda rumaram a Coimbra para apoiarem os filhos próprios e alheios que ousaram a Universidade e viraram doutores com calos nas mãos no início de cada ano lectivo.

Da odisseia colectiva, do sacrifício silencioso, do desassombro destas mulheres da Beira nunca se fez o inventário das lágrimas, privações e afoiteza que ajudaram a mudar Portugal. Depois de cumprida a missão regressaram às terras e à lavoura, ao mau feitio dos maridos e às lides da casa, às novenas e promessas pias para que os filhos que criaram não perecessem na guerra que consumia jovens e destroçava os pais num conflito obstinado que a ditadura manteve contra a história, o bom-senso e o direito dos povos à autodeterminação.

Já poucas restam dessas mulheres ignoradas. Ficaram por contar histórias de vida, retalhos da memória de um povo que parece envergonhar-se do que mais o nobilita e esquecer as raízes que são pergaminhos da honra no caminho da vida.

Há talvez nesta amnésia colectiva a ingratidão dos filhos e a vergonha de novos-ricos que esqueceram a abnegação das mães e a solidão dos pais que ficavam a mourejar nos campos e se privaram das companheiras numa dádiva cujo sacrifício é fácil imaginar.

Carlos Esperança in Jornal do Fundão – 27-09-2007

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Sábado, Agosto 25, 2007

semana radical: o que tem de especial??

Terça-feira, Agosto 21, 2007

PRÉMIO PROFESOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO – ENSINO BÁSICO 1 º CICLO - 2006/2007

Tema
Usos e Costumes das Gentes da Miuzela – O pão.

Concorrentes
Puderam concorrer ao prémio os alunos que frequentaram o 1 º Ciclo do Ensino Básico no ano lectivo 2006/2007 na Escola da Miuzela ou em qualquer outra escola nacional ou estrangeira, neste segundo caso desde que naturais ou descendentes de naturais da Miuzela.
Contudo, apenas foram recebidas candidaturas de alunos da escola da Miuzela.

Vencedores
1 º Classificado – Renato Gonçalves Pinto
2 º Classificado – Fernando José Marta Monteiro
3 º Classificado – Sandro Gabriel Andrade Prata
Os prémios foram entregues na sessão realizada na Miuzela na tarde do passado dia 12 de Agosto.

Prémio 2007/2008
Vai ser lançado um prémio idêntico para o ano lectivo 2007/2008. O regulamento será oportunamente publicado neste Blogue e no jornal Miuzela Arriba.
Muito se gostaria que o universo dos próximos concorrentes fosse maior.

Terça-feira, Julho 31, 2007

ALUNOS DA ESCOLA DA MIUZELA CONCORREM AO PRÉMIO PROFESSOR PINTO PEIXOTO

Os alunos do 4 º ano do Ensino Básico – 1 º Ciclo da Escola da Miuzela foram os concorrentes à 7 ª edição do “Prémio Professor Doutor José Pinto Peixoto – Ensino Básico - 2006 - 2007”.
Criado no ano de 2001 pela Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, e atribuído desde então sem interrupção em todos os anos lectivos, o prémio tem por objectivo promover uma pedagogia cívica e cultural junto dos alunos que frequentam o 1 º ciclo do ensino básico, naturais ou descendentes de naturais da Miuzela, apontando-lhes o exemplo daquele ilustre cientista e insigne Miuzelense de renome internacional, como estímulo para a sua formação escolar.
O concurso no ano lectivo findo teve por base uma composição escrita sobre «Usos e Costumes das Gentes da Miuzela», trabalho que envolveu o apoio e orientação da professora da escola e dos familiares dos alunos na recolha e interpretação de elementos sobre as tradições da comunidade, das quais o Professor Pinto Peixoto foi também um investigador empenhado e entusiasta.
O prémio irá ser entregue na sessão cultural a realizar na Miuzela na tarde do próximo dia 12 de Agosto, com início pelas 15H30. Para além da evocação da vida e obra do patrono da associação, a sessão contará com a presença do Professor Doutor António Rodrigues Tomé, da Universidade da Beira Interior, que apresentará uma comunicação sobre «A ciência na vida das populações». Participarão na mesma o «Grupo de Teatro, Danças e Cantares da Miuzela» e o «Ranchinho da Miuzela».

Programa:
Dia 12 de Agosto – 15H30

· Abertura da sessão.
· Actuação do Grupo de Teatro, Danças e Cantares da Miuzela.
· Intervenção do Presidente da Associação: A Associação e o desenvolvimento dos seus objectivos.
· Entrega do "Prémio Prof. Dr. José Pinto Peixoto – Ensino Básico 2006 - 2007", aos alunos vencedores.
· Comunicação do Prof. Doutor António Rodrigues Tomé, “A Ciência na vida das populações”.
· Encerramento da sessão.
· Animação cultural pelo Ranchinho da Miuzela.

Quarta-feira, Julho 25, 2007

MIUZELA 200% Radikal

O melhor do verão está aqui! (de 5 a 12 de Agosto)

dia 5 (domingo)
9:00h Tai Chi
14:00h Insufláveis
22:00 h Concerto GHS

dia 6 (segunda-feira)
8:00h Observação de pássaros
17:00h Basket
18:00h Aulas de Hip-Hop
22:00h Orientação nocturna

dia 7(terça-feira)
18:00h Aulas de Hip-Hop
22:00h Torneio de Play-station

dia 8(quarta-feira)
8:00h Caminhada
16:30h Futebol 5X5X5
21:30h apresentação de Hip-Hop

dia 9(quinta-feira)
9:30h BTT
18:30h Futebol GIGANTE
21:30h Filme

dia 10 (sexta-feira)
10:00h Peddy papper
15:00h Jogos sem fronteiras
21:00h Conversas sobre os signos
22:00h karaoke

dia 11 (sábado)
9:30h Escalada, rappel, tiro com arco e Paint-Ball
22:00h Party
1:00h acampamento no côa

dia 12 (domingo)
10:00h Escalada, rappel, tiro com arco e Paint-Ball

Terça-feira, Julho 24, 2007

Festas da Miuzela - S SEBASTIÃO (dias 16 a 20 de Agosto)















Segunda-feira, Julho 16, 2007

Intercâmbio na Lithuânia



"shining days"

os amigos são a melhor coisa que se pode ter na vida

ufff... este ano já chega, para o ano logo se vê.

a motivação dos jovens da miuzela não é muita... fica o sorriso daqueles que participaram :)

Intercâmbio na Eslovénia


muito sol e muita praia era o que nos estava á espera em PIRAN na Eslovénia.
trazemos um brozeado e as saudades dos amigos que fizemos.. até um dia

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Bom dia!

Apenas para escrever 3 linhas a informar que no fim do corrente mês irá à Miuzela um pequenino grupo de escuteiros.

Que sejam bem recebidos!

Inté

Quarta-feira, Junho 06, 2007

de 5 a 13 de AGOSTO (não faltes)


Sexta-feira, Junho 01, 2007

Nova edição do jornal "Miuzela Arriba"







Quinta-feira, Maio 24, 2007


PROGRAMA DOS 25 ANOS DA CASA DO CONCELHO DE ALMEIDA

DIA: 26/05/2007 Forum Lisboa (na Av. de Roma)

10H00 – RECEPÇÃO DOS PARTICIPANTES
10H00 – ALMEIDA - ESTRELA DO INTERIOR
Orador: Vice – Presidente da câmara – José Alberto Morgado
11H00 – AS INVASÕES FRANCESAS: A IMPORTÂNCIA E O PAPEL DO REGIMENTO 23 NAS INVASÔES FRANCESAS
Oradora – Dr.ª Maria Clarinda Moreira
11H30 – COFFE BREAKE
12h00 – O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO COMO INSTRUMENTO FUNDAMENTAL PARA O AUMENTO DA COMPETETIVIDADE E AFIRMAÇÃO TERRITORIAL, O CASO DE ALMEIDA
Orador – Dr. Fernando Fonseca
13H00 – PAUSA PARA ALMOÇO
14H30 – TERMALISMO, COMO AGENTE DE SAÚDE E TURISMO
Orador – Dr. Santos Silva – Responsável Clínico das Termas da Fonte Santa
15H00 – SESSÃO DE ENCERRAMENTO pelo Presidente da Câmara Municipal de Almeida – Prof. Baptista Ribeiro
15H15 – HISTORIAL DA CASA DO CONCELHO DE ALMEIDA pelo Presidente da Assembleia – Dr. Ramiro Ladeiro
16H00 – ACTUAÇÃO DO GRUPO CORAL POLIFÓNICO DE VILAR FORMOSO
17H00 – ACTUAÇÃO DO RANCHO FOLCLÓRICO JÚNIOR E SÉNIOR DA MIUZELA
18H00 – ACTUAÇÃO DO CORO ETNOGRÁFICO DE ALMEIDA
20H00 – ENCERRAMENTO pelo Presidente da Casa do Concelho de Almeida – Francisco Cardoso

Terça-feira, Maio 15, 2007

Intercâmbio juvenil na TURQUIA


mais um intercâmbio, desta vez em Batman, na Turquia.
Houve muita diversão e muitas experiências novas.
Ficamos à espera de mais :)

Rancho e Ranchinho próximo 26 de Maio em LISBOA

Palmira Carolina: É com enorme alegria que vimos trazer ao conhecimento de todos os Miuzelenses e amigos da Miuzela que o nosso Rancho e Ranchinho se vai deslocar a Lisboa, no próximo dia 26 de Maio, Sábado, associando-se às comemorações da Casa do Concelho de Almeida. O encontro, terá lugar no Forum da Câmara Municipal de Lisboa (antigo Cinema Roma, imediações da Avª Roma). A pedido do Doutor Ramiro

Solicita-se a todos os Miuzelenses e amigos da Miuzela, residentes em Lisboa, que se associem a este evento. O programa será oportunamente divulgado.
Contactos 962722526 ou 964773429

Quarta-feira, Abril 11, 2007

"MIuzela Arriba" - Rancho Folclórico

PALAVRAS PARA QUE?

Domingo, Fevereiro 25, 2007

Carnaval dos idosos


A Festa não se ficou pelos mais jovens.

os utentes do centro de dia nao quiseram faltar com o espirito carnavalesco, e vestidos a rigor participaram num cortejo organizado pela C.M.Almeida.
Mais uma vez se prova que havendo vontade e espirito jovem tudo se consegue.

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Houve espirito Carnavalesco....


Ficam os votos de muitas felicidades para os noivos, que prendaram os convidados com farto copo d'água e tinto....

Sábado, Fevereiro 17, 2007

MIUZELA 200% RADIKAL



DE 4 A 11 DE AGOSTO DE 2007...

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Edição 40 do jornal "Miuzela Arriba"

podes fazer o download aqui

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Intercâmbio juvenil na SERVIA


estamos de volta, com muito para contar, com mais amigos e muitas brincadeiras... para quem não foi, ficam as fotos

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Ano Novo

Sob os escombros do ano que ora finda jazem os votos que formulámos no início. Onde se encontram a almejada paz, o amor jurado, a fraternidade anunciada? Pelo contrário, irromperam das trevas da intolerância fundamentalismos torpes e ódios obscenos.

Por todo o mundo lambem-se feridas de catástrofes naturais e conflitos provocados. A explosão demográfica, a pobreza e a guerra deram as mãos à intolerância e à vingança. O racismo e a xenofobia atingiram proporções dementes que terminaram na orgia de sangue em que os homens se atolaram. Foram frágeis os desejos e efémeras as expectativas.

Ano Novo, vida nova. Estes são os votos canónicos que fastidiosamente repetimos no dealbar de cada ano. E suplica-se que o Ano Novo seja o paradigma dos nossos sonhos e não a consequência dos nossos actos ou o fruto de circunstâncias que nos escapam.

Após as doze badaladas e outras tantas passas, o champanhe e os abraços, por entre beijos húmidos e corpos que se fundem numa sofreguidão de amor, com o brilho das luzes e o som da música, recomeça um novo ano com votos repetidos de ser diferente e ser melhor.

Os anos nascem ruidosamente e vivem-se em silêncio. Começam com ilusões e acabam em pesadelo.

Há em cada um de nós uma força que nos impele para a mudança, que nos dá ânimo para desbravar novos caminhos e assumir novos riscos enquanto o conservadorismo e o medo do desconhecido nos tolhem os passos, nos intimidam e levam a recusar a novidade.

Eu acredito que no coração dos homens mora um genuíno desejo de paz. Os mísseis que cruzam os ares, as bombas que perfuram o solo ou os efeitos colaterais da artilharia que errou o alvo e destruiu povoações inteiras não são mais que um pesadelo passageiro.

O futuro constrói-se. A felicidade é um estado de alma que devemos procurar e a alegria o caminho a seguir.

É em cada um de nós, no espírito de tolerância, na aceitação da diferença, na solidariedade que podemos começar a construir o mundo mais justo, fraterno e pacífico para o qual julgávamos bastarem os desejos formulados de olhos fechados na última noite de Dezembro.

Que o delírio do amor e a embriaguez do sonho se mantenham vivos durante o ano que aí vem. E que, por entre nuvens que pairam carregadas de incerteza, resplandeça o sol da esperança e a nossa vida decorra tranquila.

Feliz 2007.

Publicado no Jornal do Fundão em 28-12-06

Terça-feira, Janeiro 02, 2007


Que venha umAno-Novo com seus desafios!

Meu nome é Maria do Céu, Sou filha de Augusto Morais André e Beatriz Augusta Ladeiro. Mando estamensagem a todos. FIM DE ANOCom o final de mais um ano de vida, estamos concluindo uma longa caminhada!Foram 365 dias que nos fizeram sofrer ou alegrar.Dias em que tivemos de enfrentar as situações mais diversificadas!Agora, nada melhor que parar um pouco e olhar para trás e para frente.Sempre que avaliamos nosso passado, percebemos que muito mais deveríamos terfeito.E, olhando para frente, nós nos deparamos com um futuro, ao mesmo tempo,desconhecido e incerto.Nosso dever é agradecer a Deus por tudo, estendendo as mãos para o alto numgesto de gratidão e suplica.É ainda salutar e oferecer perdão e renovar nosso apoio a quem está ao lado,sem sucumbir às tentações do desânimo ou da incompreensão.Assim, com o coração agradecido e confiante podemos dizer: “Que venha umAno-Novo com seus desafios! Contamos, a cada instante, com Aquele que nos dáa vida, e nos há de sustentar, com doçura e vigor, ao longo do nossocaminho!”.À todos um Feliz Natal,Maria do Céu André Trigilio e família .

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006


Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

DESFILE, TEATRO, DANÇAS - dia 22 Dezembro - NÃO FALTES


Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Feliz Natal

Os miuzelenses residentes no Norte de França, mais especialmente os socios e direcção do centro cultural miuzelenses em Roubaix, desejam a todos os miuzelenses um Feliz Natal e feliz ano de 2007.

Horácio Ferreira

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Centro d'Artes

o nosso centro d'artes, espaço que se espera prospere a criatividade e arte, precisa de uma máquina de costura.
quem tiver e não precise ou no-la possa emprestar, agradecia-mos.
contacte-nos:
miuzela.centro@gmail.com
271580180

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

PINTO PEIXOTO E A CIÊNCIA

Colóquio "Pinto Peixoto e a Ciência".

Organização: Universidade da Beira Interior e Associação Casa da Cultura Prof. Doutor José Pinto Peixoto.

Local: Universidade da Beira Interior - Grande Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde - Covilhã.

Programa:

6 de Dezembro de 2006

9:30 AberturaMajor General Augusto José Monteiro Valente Presidente da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto PeixotoDr. António José Peixoto Freire Falcão Familiar do Professor Doutor José Pinto PeixotoProf. Doutor Manuel José dos Santos Silva Reitor da Universidade da Beira Interior
10:00 Alterações ClimáticasProf. Doutor Filipe Duarte Santos Instituto Geofísico do Infante D. Luiz Departamento de Física Faculdade de Ciências Universidade de Lisboa
11:00 Pausa
11:30 Informação e Comportamentos EmergentesProf. Doutor Fernando Carvalho Rodrigues Director de Programas de Ciência da NATO
12:30 Almoço
14:00 Cosmologia e TermodinâmicaProf. Doutor Alfredo Barbosa Henriques Comissão Científica do Centro Multidisciplinar de Astrofísica Instituto Superior Técnico Universidade Técnica de Lisboa
14:30 Cosmologia Quântica e Entropia GravitacionalProf. Doutor Paulo Rodrigues Lima Vargas Moniz Departamento de Física Universidade da Beira Interior
15:00 O Ramo Terrestre do Ciclo Hidrológico e as Ondas de Calor na EuropaProf. Doutor António Pedro Viterbo de Sousa Azevedo Land SAF Scientific Coordinator Instituto de Meteorologia, I.P.
15:30 Contribuição para a Análise da Variebilidade Climática em PortugalProfª. Doutora Maria Solange Mendonça Leite Coordenadora do Grupo de Meteorologia-Climatologia Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
16:00 Estrutura Espacial das Tendências Parciais da Temperatura à Superfície nos Últimos 50 AnosProf. Doutor António Rodrigues Tomé Departamento de Física Universidade da Beira Interior
16:30 Pausa
16:45 Pinto Peixoto: o Homem e a ObraProf. Doutor João Alexandre Medina Corte-Real Coordenador do Grupo de Clima e Modelação Atmosférica Centro de Geofísica Universidade de Évora
17:45 Encerramento

7 de Dezembro de 2006

12:00 Celebração Eucarística, na Igreja da Miuzela, presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Tomás da Silva NunesRomagem à Campa do Professor Doutor José Pinto Peixoto

+info: Gabinete de Relações Públicas Universidade da Beira Interior Telf.: 275 319 058 Email: grp@ubi.pt

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

Associação Casa de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto

Próximas Actividades


06.12.2006: 09H30.
Colóquio na Universidade da Beira Interior (UBI) – “Pinto Peixoto e a Ciência”.
A Universidade da Beira Interior e a Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto pretendem assinalar a passagem do 10 º Aniversário do falecimento do emérito Professor Doutor José Pinto Peixoto, com a realização de um colóquio/homenagem subordinado ao tema “Pinto Peixoto e a Ciência”.
O colóquio terá lugar na Universidade da Beira Interior no dia 6 de Dezembro de 2006, e terá como temas as grandes áreas de intervenção daquele cientista, nomeadamente as alterações climáticas, a gestão da água/ciclo hidrológico e informação e comportamentos emergentes.

07.12.2006: 12H00.
Cerimónia religiosa na Miuzela, evocando o 10 º Aniversário do falecimento do Professor Doutor José Pinto Peixoto.
A família do Professor Doutor José Pinto Peixoto e a Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto promovem a celebração na Miuzela, pelas 12H00, de uma cerimónia religiosa evocativa do 10 º Aniversário do seu falecimento, seguida de romagem à sua campa.
Preside à celebração S. Ex ª Reverendíssima o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Tomás da Silva Nunes.

08.12.2006: 15H00.
Sessão Cultural na Miuzela, Almeida.
A Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto promove a realização na Miuzela, pelas 15H00, de uma sessão cultural de homenagem ao Professor Doutor José Pinto Peixoto e para entrega do “Prémio Ensino Secundário – 2005/2006”, à vencedora do mesmo, a estudante Ana Catarina Pinho Gomes, residente em Lourosa, Santa Maria da Feira.

Convidam-se todos os Miuzelenses e sócios da Associação a participarem nestes eventos.

O Presidente da Associação
Augusto José Monteiro Valente

Prémio Nacional Prof. Dr. José Pinto Peixoto - Ensino Secundário 2005/2006

A estudante Ana Catarina Pinho Gomes, que concluiu o ensino secundário na Escola Secundária de Coelho e Castro, de Fiães, Santa Maria da Feira, venceu o Prémio Nacional - Ensino Secundário 2005/2006, atribuído pela Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto.
A vencedora é natural de Lourosa, Santa Maria da Feira, e residente na mesma localidade, e foi a candidata que apresentou as médias finais mais elevadas das classificações do ensino secundário (20 valores) e para acesso ao acesso ao ensino superior (200), tendo ainda o júri considerado na sua decisão a melhor qualidade do texto exigido sobre a terra, a vida e a obra do Professor Doutor José Pinto Peixoto.
Curiosamente, é a segunda vez que uma aluna da Escola Secundária de Fiães vence este prémio pois, quando pela primeira vez foi atribuído em 2002, foi também ganho por uma aluna dessa escola.
O Júri reuniu no passado dia 2 de Novembro, na Miuzela, e foi presidido pelo Professor Doutor João Pinheiro da Providência e Costa, da Universidade da Beira Interior.
Foram apreciadas quinze candidaturas, oito com a média final de 20 valores, seis com 19 e uma com 18, tendo onze concorrentes concluído o 12 º ano em estabelecimentos de ensino públicos e quatro em privados.
É o quinto ano consecutivo que o prémio é atribuído e, curiosamente, foi sempre ganho por concorrente do sexo feminino.
O prémio, no montante de mil euros (€ 1.000,00), vai ser entregue em sessão a realizar no próximo dia 8 de Dezembro, na Miuzela, incluída no programa que pretende assinalar o 10 º aniversário do falecimento do Professor Doutor José Pinto Peixoto.

O Presidente da Associação
Augusto José Monteiro Valente

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

JANTAR DE NATAL - 25 de ...embro

AVISA OS TEUS AMIGOS

"O Pai Natal passa mais cedo por lisboa"















p.s: o Pai Natal tb vai

convida-se todos os miuzelenses, e amigos, para um repasto de natal no dia 25 de Novembro

marca ja o teu lugar (mais informações sobre local e horas serão dadas brevemente)

contactar:
"Helena Quinaz" <normed.lisboa.mhqg@mail.telepac.pt>,
"José Gonçalves" <goncalvespinto@gmail.com>,

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA ADOLESCÊNCIA

Como dissemos em anterior artigo, o aumento do número de adolescentes com excesso ponderal no nosso país é uma tendência perturbadora que justifica a atenção especial por parte dos pais, escolas, autarquias e profissionais de saúde pública.
A adolescência é um dos períodos mais críticos no desenvolvimento humano. O crescimento relativamente uniforme da infância dá então lugar a um outro bastante mais rápido. Esta fase da vida é considerada especialmente vulnerável em termos nutricionais, devido a uma maior carência geral e necessidades especiais de nutrientes, provocadas pela maior velocidade de crescimento e pelas alterações do estilo de vida e dos hábitos alimentares que nela ocorrem. A obesidade na adolescência é, de facto, um problema grave, mais característico do modelo de cultura ocidental.
Embora as consequências de um excesso de peso a longo prazo sejam preocupantes, nos jovens os efeitos mais graves são, sobretudo, os que se manifestam a curto prazo, numa fase em que a imagem do corpo é fulcral. Acresce que nos rapazes, ao contrário do que se passa com os homens adultos, que engordam na cintura, o excesso de gordura acumula-se na mesma zona das raparigas, o que altera o aspecto masculino tipo, modificação que se pode acentuar com um crescimento moderado dos seios.
Estas mudanças fisionómicas são especialmente favorecidas pelos vícios de uma sociedade desenvolvida, onde predomina o sedentarismo e a comida hipercalórica, com a agravante de esta ser estudada pelas empresas de alimentação precisamente para ir ao encontro do gosto dos jovens e lhes despertar um maior apetite, promovendo assim um maior consumo. É mole, come-se rapidamente, tem uma apresentação atractiva, um sabor doce ou salgado agradável ao paladar, com uma publicidade estudada cientificamente para ficar registada no seu sistema nervoso central.
Os padrões de alimentação dos adolescentes são frequentemente caóticos: tendem a omitir um número crescente de refeições em casa; estabelecem diferentes associações com alimentos saudáveis e alimentos de baixo valor nutritivo, dando preferência aos últimos; e o recurso a “fast-food”, em substituição de refeições normais ou lanches, torna-se prática regular. Ora, apesar de alguma variedade desta alimentação oferecer uma selecção de produtos saudáveis, na generalidade dos casos mais de 50% das suas calorias são provenientes de gordura.
Em termos práticos, uma alimentação saudável na adolescência deverá ter como objectivos: possibilitar o desenvolvimento máximo consentido pelas características genéticas – cerebral, ósseo, estatural; aumentar a capacidade de resposta imune para reduzir a susceptibilidade a doenças infecciosas e outras; impedir o aparecimento de doenças metabólicas degenerativas; beneficiar a competência mental, favorecer a atenção e, deste modo, contribuir para melhores aptidões escolares.
Então, o que poderão fazer os pais para contrariar esta preocupante tendência?
É fundamental convencer os filhos a fazerem seis ou sete refeições diárias, evitando que fiquem mais de três horas sem comer (poderão começar por colocar nas suas mochilas um iogurte e algumas bolachas simples para uma refeição intercalar); insistir para que tomem um pequeno-almoço completo, com leite e pão ou cereais simples; habituá-los a comerem sopa ao almoço e jantar e a preferirem alimentos cozidos, grelhados ou estufados em gordura vegetal, em vez dos fritos e assados. Na selecção dos menus e na prática das refeições, é importante persuadi-los a preferirem ementas à base de carne de peru, frango, galinha e coelho, em detrimento de carne de vaca, pato ou porco, a não comerem a pele e a gordura visível da carne e do peixe, a escolherem o azeite como gordura de eleição, a optarem, quando for o caso, pelos conservados em azeite ou em água, a reduzirem o consumo de alimentos ricos em sal ou açúcar, assim como o de bebidas gaseificadas e refrigerantes.
É aconselhável que os filhos não tomem sistematicamente o almoço fora de casa, mas, se tal prática não for possível, que prefiram comer nas cantinas das escolas (pressionando os conselhos directivos a torná-las espaços agradáveis de convívio, a servirem refeições nutricionalmente equilibradas e variadas e a eliminarem as máquinas de venda e todos produtos hipercalóricos dos bares); no caso de terem excesso de peso, é conveniente não os deixar andar com muito dinheiro, de modo a reduzir-lhes as possibilidades de tentação por outros alimentos aliciantes, de que não necessitam e que só lhes farão mal.
Em casa, é recomendável dar preferência a alimentos de origem vegetal, fazer igualmente refeições equilibradas e variadas, com sopa, carne, peixe, ovos, farináceos, vegetais e fruta, e ensinar os filhos a tomar uma ou duas refeições a meio da tarde, de modo a prevenir as compulsões entre o lanche e o jantar, e a beberem 1,5 l de água diariamente.
Por último, é primordial estimulá-los a praticar actividade física, na escola, nos ginásios ou em clubes desportivos, fazê-los andar a pé e organizar caminhadas com os amigos. E se os pais os acompanharem tanto melhor! O seu papel é decisivo em todo o processo. Trata-se de defender a saúde dos seus filhos.

Paula Beirão Valente
(Nutricionista)

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Há homens assim…

Foi na última quarta-feira. Perto da meia-noite a casa do Augusto Morais estava em chamas. Acudiram os vizinhos como soe fazer-se nas aldeias da Beira. A ansiedade crescia ao ritmo das chamas e do fumo e os donos não davam sinais de vida.

Lá fora, na rua, a Miuzela do Côa reunia-se com gente ansiosa e impotente, chamando pelo Augusto e pela Beatriz. O silêncio devolvia-lhes a aflição e aumentava o medo.

Manuel Jerónimo Prata e José António Prata, dois irmãos, arrombaram portas e foram salvar as vidas que julgavam em perigo. Não os demoveu o fumo nem o fogo, não pensaram na vida que arriscaram e nos perigos que os esperavam. A solidariedade é alheia a cálculos e tibiezas.

Na busca dos conterrâneos em perigo apenas os moveu o desejo de resgatá-los, a ânsia de salvar vidas em perigo. O Augusto e a Beatriz ainda não tinham chegado. Na casa vazia de gente os irmãos Prata procuravam libertar vítimas quando a explosão de uma botija de gás os encurralou e queimou.

Hoje estão na Unidade de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Livres de perigo, com o dever cumprido, sofrem as dores das queimaduras que lhes marcaram o corpo. Os rostos mostram as marcas de um doloroso churrasco e a tranquila serenidade de quem cumpriu um dever sem aguardar a paga.

É de homens assim que se faz a grandeza moral de um povo, homens que, por entre labaredas, dão um exemplo de coragem e solidariedade que honra a Miuzela de que são filhos e as terras da Beira que guardam gente de coragem e abnegação.

Fui hoje vê-los com o General Augusto Monteiro Valente que me deu a notícia. Falando por um intercomunicador e vendo-os através dos vidros tive orgulho nos conterrâneos.

Em breve estarão de volta. Deixo-lhes aqui a minha homenagem.

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Edição n.º 39 do jornal "Miuzela Arriba"

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Prémio Prof. Dr. José Pinto Peixoto - Ensino Básico 1 º Ciclo 2006 - 2007

PRÉMIO PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO
ENSINO BÁSICO - 1 º CICLO
2006-2007

REGULAMENTO

1-A ASSOCIAÇÃO CASA DE CULTURA PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO, com sede em Miuzela, concelho de Almeida, para homenagear a memória do seu patrono, entre outras iniciativas, decidiu instituir a atribuição anual de um prémio, denominado “PRÉMIO PROFESSOR DOUTOR JOSÉ PINTO PEIXOTO – ENSINO BÁSICO - 1 ºCICLO”.
Honrando o Homem, o Professor e o Cientista, a Associação pretende também, através deste prémio, divulgar a terra, a figura, a vida e a obra do seu patrono e, desta forma, exercer uma acção pedagógica dirigida especialmente às gerações jovens.
2-Podem concorrer ao prémio os alunos naturais ou descendentes de naturais da Miuzela, que frequentem o 4 º ano do ensino básico – 1 º ciclo no ano lectivo 2006-2007, em qualquer escola do país ou do estrangeiro, através de carta registada, para a seguinte morada:
Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto
Prémio Ensino Básico – 1 º Ciclo
a/c Augusto José Monteiro Valente
Rua Infanta D. Maria, n º 446 – 6 º D
3030 – 331 Coimbra
3-O Prémio terá o valor global de 250, 00 € euros, distribuído por.
1 º Classificado: 125,00 euros.
2 º Classificado. 75,00 euros .
3 º Classificado: 50,00 euros.
4-Da candidatura deverão fazer parte os seguintes documentos:
4.1-Carta de candidatura, donde conste o nome do concorrente, endereço postal, número de telefone para contacto eventual e informação sobre as ligações familiares do concorrente à Miuzela, que explique, no caso de não ser dela natural, a sua descendência da Miuzela.
4.2- Documento passado pela escola respectiva, que comprove que o candidato frequenta o 4 º ano do ensino básico – 1 º ciclo, no ano lectivo 2006-2007.
4.3 - Texto manuscrito, com o máximo de 200 palavras, sobre o tema “Usos e Costumes da Miuzela”.
4.4- Fotocópia do Bilhete de Identidade do concorrente e, no caso de não ser natural da Miuzela, dos seus ascendentes, de forma a comprovar a descendência da Miuzela.
Parágrafo único: Serão consideradas nulas as candidaturas que não se façam acompanhar do documento mencionado neste número.
5- A data limite para a entrega das candidaturas é o dia 31 de Maio de 2007 (data de registo do correio).
6-Júri de apuramento dos concorrentes premiados.
6.1- Será constituído por:
a) Dois membros da Comissão Instaladora da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto, sendo um deles o Presidente da Comissão.
b) Um elemento designado pelos familiares do Professor Doutor José Pinto Peixoto.
c) Um elemento designado pela Direcção do Centro Social, Cultural e Desportivo Miuzelense.
d) Um sócio da Associação, natural da Miuzela, designado por comum acordo dos elementos referidos nas alíneas anteriores.
6.2-No caso da falta de algum dos elementos referidos nas alíneas b) ou c) do número anterior, será substituído por outro sócio da associação, natural da Miuzela, designado por comum acordo dos elementos restantes.
6.3-O júri funcionará sempre com 5 elementos, que escolherão o presidente entre os seus membros.
6.4- Da reunião do júri será lavrada acta.
7-Atribuição do prémio
7.1- O júri atribuirá os prémios aos concorrentes por avaliação qualitativa dos textos recebidos.
7.2- As decisões do júri deverão ser subscritas por, no mínimo, 4 dos seus elementos.
7.3 -Das decisões do júri não cabe recurso.
8-A decisão do júri deverá ser conhecida até ao dia 30 de Junho de 2007.
9-A entrega do prémio deverá ter lugar na Miuzela, durante a “Sessão de Verão” a realizar no mês de Agosto de 2007.

12-A documentação do concurso será destruída no mesmo dia da atribuição do prémio, na presença de, pelo menos, dois elementos da Associação, sendo tal facto registado em acta.
13-Divulgação do prémio
13.1-O prémio será divulgado localmente, através do Jornal “Miuzela Arriba, do “site” da Associação www.associacaoprofesorjpintopeixoto.org e ainda de outros “sites” relacionados com a Miuzela.
14- Bibliogarfia de apoio:
- José Pinto Peixoto: “Miuzela – A Terra e as Gentes”, edição do autor, Lisboa, 1996.
- José Afonso Brardo: "Miuzela do Côa – Memórias para uma Monografia”.
- José Pereira da Silva: “Miuzela do Côa – Memórias e Factos”, Casa Véritas Editora Lda, Guarda, 2002.
- Outras publicações de autores da Miuzela.
- Artigos publicados no “Miuzela Arriba” e “Praça Alta”.

O Presidente da Comissão Instaladora da Associação
Augusto J. Monteiro Valente

Sexta-feira, Outubro 13, 2006

A Procissão da Senhora da Conceição (Crónica)

Para animar a fé e variar a liturgia eram frequentes as festas canónicas que esgotavam os ovos, o açúcar e a capacidade de endividamento na mercearia da aldeia.

A missa iniciava as festividades e prolongava-se com rituais e padres paramentados a rigor, vindos das paróquias vizinhas, e o sermão de um outro, contratado para enaltecer a santa e avivar a fé. O pregador subia ao púlpito e distinguia-se pela desenvoltura com que se exprimia, tanto mais apreciado quanto menos percebido, podendo confundir as virtudes e trocar os santos sem beliscar a fé ou pôr em risco os honorários.

Depois da missa a procissão percorria as ruas da aldeia com uma ou outra colcha nas janelas e mantas de farrapos garridas, que era pobre a gente e a intenção é que salvava.À frente iam os pendões, empunhados por braços possantes que contrariavam o vento, seguidos de bandeiras com imagens pias e anjinhos, apeados, de asas derreadas. A seguir viajavam alinhados os andores do Sagrado Coração de Jesus e de alguns santos que aliviavam o mofo e o abandono na sacristia. Por último vinha a estrela da companhia, a Senhora da Conceição, de comprovada virtude e milagres ignorados.

Os padres viajavam sob o pálio, conduzindo o arcipreste a custódia que exibia a hóstia consagrada, com acólitos a empunhar as varas.

Em meados do século que foi os cruzados gozavam ainda da estima de quem prevenia a salvação da alma e desconhecia a história das guerras religiosas. Assim, ladeando os andores, exultavam os garotos, meninos com uma faixa onde, a vermelho, se destacava a cruz e as meninas com uma touca que lhes escondia os cabelos e exibia uma cruz igual.

Depois dos padres e dos mordomos, orgulhosos dentro das opas, viajavam pelas ruas enlameadas as Irmandades. As Irmãs de Maria traziam o pescoço enfaixado com fitas azuis. Seguia-se a Irmandade do Sagrado Coração de Jesus com fitas vermelhas e, finalmente, as Almas do Purgatório com fitas roxas atrás de um estandarte que as anunciava, não fosse o diabo tomá-las como suas.

A cobrir a retaguarda a banda da Parada atacava música sacra enquanto os foguetes estalejavam no ar. A passo lento se o tempo convidava, ou mais apressados se a chuva fustigava, os crentes regressavam à igreja com deserções antecipadas a caminho de casa onde aguardavam as vitualhas.

Eram assim as procissões da minha infância percorrendo as ruas tortuosas da aldeia e os rectos caminhos da fé.

Carlos Esperança

Jornal do Fundão, ontem.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Prémio Prof. Dr. José Pinto Peixoto - Ensino Básico 1 º Ciclo

António Morais Lajas, Tatiana Andrade Prata e Tiago Emanuel Monteiro Ladeiro, alunos da Escola do Ensino Básico da Miuzela, foram os contemplados com “Menções Honrosas” pela sua participação no concurso ao “Prémio Professor Doutor José Pinto Peixoto – Ensino Básico 1 º Ciclo”. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no passado dia 6 de Agosto, na Miuzela, com a presença de numerosa assistência, tendo sido presidida pelo Presidente da Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto.
O concurso teve por base uma composição escrita sobre o livro “Miuzela – A Terra e as Gentes”, da autoria do patrono da Associação, assinalando o 10 º aniversário da publicação da obra, ocorrida escassos quatro meses antes do seu falecimento.
No decorrer da cerimónia foi apresentada uma comunicação sobre a referida obra pelo Dr. Victor Morais Ladeiro. O orador dissertou sobre a sua importância como memória da Miuzela e registo da identidade da freguesia nos seus variados aspectos (geografia física e humana, património arquitectónico e religioso, história, tradições, gastronomia, cancioneiro popular, etnografia, etc.), salientando, designadamente, o valor, para a respectiva comunidade, de importantes documentos oficiais inéditos que ilustram a obra, e que através dela foram preservados e divulgados, para conhecimento da comunidade, estudo e outros fins.
Durante a sessão foi também feita a evocação da figura do Professor Doutor José Pinto Peixoto, através de uma comunicação apresentada pelo Dr. Manuel Henrique Vieira Torres, docente da Universidade Moderna. O orador desenvolveu, especialmente, as qualidades do homenageado - que bem conheceu e com o qual trabalhou -, como académico e cientista e como cidadão, humanista e amigo, destacando “a simplicidade como explicava as coisas mais complexas”, “o cuidado extremo em não magoar quem quer que fosse”, a sua prontidão para “auxiliar quem precisasse da sua ajuda para singrar na vida”, e a forma como “lidava com a ingratidão com o distanciamento adequado para evitar o incómodo”.
A encerrar a sessão fez a sua apresentação pública o “Ranchinho da Miuzela”, grupo folclórico formado por crianças e jovens da Miuzela, mais uma excelente iniciativa local que bastante se aplaude, com a finalidade de revitalizar a cultura tradicional local junto das gerações mais novas.
Decorre, entretanto, a preparação da evocação do 10 º aniversário da morte do Professor Doutor José Pinto Peixoto, com cerimónias que terão lugar na Covilhã (seminário científico na Universidade da Beira Interior), na Miuzela (celebração religiosa e sessão cultural) e em Almeida.

O Presidente da Casa de Cultura
Augusto José Monteiro Valente

Os Jovens e a alimentação

No início de um novo ano lectivo, foi lançada uma oportuna campanha nacional sobre a alimentação nas escolas, visando prevenir e combater a obesidade nos jovens, cujos índices de crescimento estão a constituir séria preocupação.
Existe, de facto, um problema alimentar a nível geral que, embora comece muitas vezes na infância, afecta principalmente os jovens em idade escolar. E é preciso preocuparmo-nos com ele antes que seja demasiado tarde.
O consumo de fast–food está a alastrar no país e em todo o tipo de estratos sociais, apesar de o cidadão minimamente avisado saber que tal alimentação é prejudicial à sua saúde. As próprias crianças o sabem. Qual a razão então da corrida a este tipo de alimentos? O que estará a falhar?
Convenhamos que é agradável, de quando em vez, saborear uma sandes ou um prato diferente, para mais sem a preocupação de ter de arrumar tudo mais tarde. Mas porquê tanta sedução por um tipo de alimentação que se sabe à partida fazer mal à saúde? Preguiça? Falta de tempo? Eficácia da publicidade enganosa?
Preocupante é, sobretudo, o que se está a passar com os jovens, com o aumento considerável do número de casos de excesso ponderal e obesidade, apesar da crescente procura de ginásios. Cerca de um terço apresenta sinais de obesidade. É o resultado do exagerado consumo de batatas fritas encharcadas em óleo, de sandes a escorrer molhos diversos, e de outros alimentos cheios de sal, açúcar e gordura, completados com bebidas e sobremesas excessivamente doces.
É fundamental reflectir seriamente sobre este problema, pois os danos feitos durante a adolescência em matéria de nutrição dificilmente serão corrigidos no futuro.
Será pura perda de tempo promover campanhas em prol de uma alimentação saudável se as disfunções alimentares encontrarem campo aberto nas refeições tomadas em casa; no facilitismo dos pais, satisfazendo todos os apetites dos filhos, no deficiente funcionamento das cantinas escolares, com condições de bem-estar poucos agradáveis, ementas repetitivas, nutricionalmente desequilibradas, sem variedade e pouco apelativas; ou na irracionalidade dos bares, com a maioria das bebidas e outros produtos disponíveis de pastelaria e snack excessivamente energéticos.
Como em relação a outros vícios da sociedade de consumo em que vivemos, o problema parece começar, primeiramente, por uma questão de moda e de afirmação social. Para o prevenir será precisa maior sensibilização para uma alimentação saudável, mas, paralelamente, serão necessárias melhores condições envolventes. A transformação das cantinas e bares escolares em espaços em que os jovens se sintam bem e com os quais se identifiquem, em alternativa aos dos centros comerciais, será o primeiro passo. Depois, será necessário investir na qualidade e variedade das ementas, de modo a melhorar a apresentação e o paladar dos alimentos e o seu equilíbrio nutricional. Nos bares haverá que promover a gradual eliminação de produtos hipercalóricos e a sua substituição por produtos mais saudáveis. O acompanhamento por especialistas em saúde pública será, também, fundamental. Em questões de saúde não se pode improvisar. A colaboração dos pais, das escolas, das autarquias e do Estado, num envolvimento articulado e convergente, será, por último, indispensável para combater o que poderá vir a ser um novo flagelo da sociedade pós-moderna. Não se espere que sejam as multinacionais produtoras ou distribuidoras a fazê-lo.
Uma alimentação saudável é condição necessária para um corpo e mente sãos!

Paula Sofia Beirão Valente
(Nutricionista)

Domingo, Setembro 17, 2006

Sinos da minha aldeia

Na aldeia o sino da torre ainda insiste nas meias horas e, com intervalo curto, na repetição das horas diurnas. Calam-no, de noite, para não perturbar o sono de citadinos em férias. O relógio comunitário ignora os seus homólogos, no pulso dos cidadãos, a sua fiabilidade e a facilidade da consulta.

À força de se repetir vão-se as pessoas esquecendo de escutá-lo e de lhe prestar atenção. Se acaso parar poucos darão pela falta e o abandono será o destino fatal que já o condena. Viverá enquanto não se partir a corda e o maquinismo não encravar.

Mingua nas presas a água que regava os campos à claridade da aurora. Secaram as fontes que alimentavam regatos, mantinham viçosos os prados e os defendiam da canícula.

Falta a água, seca a erva, ficam maninhos os campos. Os velhos vão mirrando enquanto os novos se fizeram à vida e abandonaram as terras e os pais.

Também na igreja o sino chama os paroquianos para os actos litúrgicos com o som triste de quem envelheceu com as pessoas e trina por hábito, sem convicção nem entusiasmo dos que ainda o escutam.

Só os emigrantes iludem, neste mês de Agosto, a solidão e abandono a que o interior de Portugal está votado. Foi longo o processo, mas eficaz, penoso e irreversível.

(Publicado no Jornal do Fundão, 15-09-2006).

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

A Ti Josefa

Na mesma quelha, próxima da casa do padre, paredes meias com a do Ti António Álvaro, viviam inúmeras pessoas, como, aliás, por toda a aldeia, que era estreito o espaço coberto e muitos os filhos que Deus mandava para substituir os que as febres levavam.

A Ti Purificação amassava a farinha e acudia à panela da sopa enquanto a massa fingia, antes de a tender para a levar ao forno e dele tirar, tostados, bolos e trigos, estes com o dobro do peso daqueles e igualmente divididos em quartos fáceis de esnocar à mão.

Só pela Páscoa cozia as santoras, pão da mesma massa, em forma de ferradura, folar que os padrinhos davam aos afilhados com a bênção que lhes era solicitada.

A Ti Josefa, que conheci sempre velha, essa rumava a Almedilla, aldeia espanhola que ficava do lado de lá de Batocas, onde dois comércios viviam da coragem e do sacrifício dos contrabandistas portugueses.

Palmilhava longas léguas para trazer trigo obrado à espanhola, alpercatas, pana, e, por encomenda, tabletes de chocolate da Senhora das Candeias e galletas que haviam de cobrir, sob o pano de linho, o prato junto à garrafa de jeropiga que o padre e o sacristão haviam de provar, pela Páscoa, depois de darem o menino a beijar e recolherem o óbolo.

A Ti Josefa era mulher rija, enxuta, com marreca que os anos acentuaram e pernas lestas capazes de percorrer oito léguas sem afrouxar. Muitas vezes a espoliaram da carga os carabineiros e guardas-fiscais quando a filavam ou ela própria lha abandonava para mais facilmente se escapulir.

Outras vezes teve mais sorte quando alguém se encarregava de atar gestas no carreiro e tropeçavam os carabineiros com a arma, dando tempo a pôr-se a salvo do lado de cá da fronteira se os guardas-fiscais não andavam por perto e alertados por algum disparo dos espanhóis.

Os tiros raramente atingiam contrabandistas, não tanto por escrúpulo ou compaixão dos guardas mas por instinto de sobrevivência. Cada baixa de um contrabandista, sobretudo da zona do Sabugal, era vingada num elemento das forças policiais. Podia sobreviver o que matou mas marchava, por desforra e à guisa de advertência, outro da nacionalidade respectiva. O autor raramente pagava, era difícil a prova e protegia-o o silêncio geral.

A Ti Josefa aprendeu em menina a arte do contrabando e dela fez vida até que a idade a levou. Foram para aí sete décadas que consumiu entre a Miuzela e Almedilla e, por fim, Fuentes de Oñoro, quando os guardas, de um lado e outro da raia, lhe respeitavam os anos e a carga.

Vinha então pela linha do comboio, circulando entre os carris, vergada ao peso da idade e da mercadoria, saltando para os lados quando o comboio, cujos horários conhecia pelo sol e pela intuição, se aproximava.

Um dia, passados já os oitenta anos, lá vinha, como de costume, e não ouviu o apito nem deu conta da aproximação do monstro, mas, muito perto, pressentiu o perigo e logo se amochou enquanto o Rápido desapareceu por cima da Ti Josefa e da sua carga sem lhe deixar um arranhão ou estragar a mercadoria.

Era rija a velha. No dia seguinte voltou à faina que os clientes eram certos e o hábito se tornara mais forte do que a precisão.

Segunda-feira, Agosto 14, 2006

A Miuzela e o Pinho Redondo

Enquanto o país arde com regularidade e bombeiros se esmeram a preservar os restos da floresta, espécie de lastro que no próximo ano há-de servir para os incêndios que hão-de voltar, recordo a aldeia da minha infância.

Fogos havia-os, às vezes, nas habitações de cuja loja era mister salvar logo os animais, pela falta que faziam e dificuldade de os revezar e, de imediato, as crianças que o dever cristão impunha, ainda que as febres as levassem pois eram poucas as que arribavam em tempos que era precária a higiene, inquinada a água e minguada a assistência médica.

Nos campos não havia fogos. Duas léguas em redor nem uma gesta vingava, não crescia um chaparro, nenhuma planta sobrava para a queima inútil dos fogos que hoje devoram o mato, recolhidas por padeiros que não deixavam arrefecer os fornos que coziam trigo para abastecer os mercados e feiras num raio de meia dúzia de léguas ou mais.

Há anos disseram-me que a Miuzela esteve em perigo, que o fogo chegou às casas e entrou pelos caminhos da povoação, como se as casas tivessem mudado de sítio ou a aldeia tivesse acompanhado a sua gente nos caminhos da emigração.

Desse tempo restava o pinho redondo a cuja sombra me acolhia a jogar a bisca de nove ou a sueca, se havia parceiros, em tardes longas de canícula e convívio. A imensa copa era excepção numa terra sem árvores, expulsas pelo cultivo da vinha e o amanho das hortas. Só os freixos delimitavam os lameiros e alguma figueira teimava em sobreviver por entre as fisgas de terra que separava os barrocos.

Este Verão fui à Miuzela, como de costume. O pinho redondo tinha desaparecido do horizonte, quando fiz a curva junto à vinha do Panelo e não o vi ao passar o Espadanal.

Só muito perto vi o tronco de que logo afastei o olhar. Alguém feriu as raízes e, como um veneno que se entranha, secou a árvore que fazia parte da aldeia e da memória.

Primeiro foram as pessoas que amei, agora até a vista do velho pinheiro me roubaram. O pinho redondo era o último elo de uma cadeia de afectos que se vai rompendo.

Não assisti aos gemidos do pinho manso no seu estertor, não vi o gigante tombar, sofri apenas o vazio da memória. Dolorosamente.

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Semana da Juventude

Segunda-feira, Julho 31, 2006

Uma Aldeia

Uma aldeia, segundo o dicionário, é uma pequena povoação, inferior a uma vila. Mas, mais que isso, uma aldeia é, sobretudo, uma comunidade de vizinhança, que se caracteriza por uma acentuada coesão social baseada em estreitas relações pessoais de proximidade, num sentimento afectivo ou tradicional comum de pertença a um mesmo todo e numa consciência de integração e de solidariedade na vida quotidiana. Por isso, uma aldeia é muito mais que uma aglomeração de pessoas.
Uma aldeia é, ao mesmo tempo, um lugar singular e diferenciado, reconhecido exteriormente. O que a determina não é a existência de outras aldeias, mas as particularidades que soube criar e souber gerar. Ou seja, uma aldeia caracteriza-se por uma forte identidade, naquilo que a individualiza enquanto comunidade própria e naquilo que a diferencia das comunidades vizinhas; e, ao mesmo tempo, num certo sentido de orgulho das suas Gentes, que se expressava tradicionalmente no uso corrente do termo «nós».
O futuro de uma aldeia está na preservação e renovação permanente da sua singularidade – o seu património cultural, ambiental, arquitectónico, gastronómico, etc. Não no sentido de conservação imobilista como se de uma reserva natural se tratasse, mas no de recuperação, renovação, recriação e valorização, adaptando-se aos novos tempos mas salvaguardando as suas especificidades.
Infelizmente, não tem sido essa a lógica de «desenvolvimento» de muitas das nossas aldeias. A trivialização tem vindo a prevalecer sobre a singularidade, a uniformização sobre a diferenciação, com o consequente risco de perda da identidade e do reconhecimento exterior.
A Miuzela tem sabido manter através dos tempos uma forte identidade própria, especialmente afirmada nos períodos de maiores dificuldades, tornando-se conhecida e estimada pelas terras vizinhas pelas qualidades das suas Gentes. Tem sabido resistir à descaracterização que os novos tempos tendem a gerar, defendendo, no essencial, o seu vasto e rico património – embora tenha deixado perder algum dele, que seria bom recuperar.
Saberá a Miuzela continuar a fazê-lo no futuro? A resposta estará na aposta que fizer entre a valorização do que lhe é peculiar ou a imitação do que é comum à sua vizinhança.

Monteiro Valente

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Casa da Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto - Sessão Cultural na Miuzela

Dia 6 de Agosto.
Programa:
1 ª Parte - 15H00
· Abertura da sessão, pelo Presidente da Associação.
· Evocação da obra “Miuzela – A Terra e as Gentes”:
- Comunicação pelo Dr. Victor Morais Ladeiro.
· Entrega das Menções Honrosas do "Prémio Prof. Dr. José Pinto Peixoto – Ensino Básico"
· Comunicação do Dr. Manuel Henrique Vieira Torres sobre o tema:
- “Educação e Futuro - o exemplo do Prof. Dr. José Pinto Peixoto"
· Encerramento da 1 ª Parte: Discursos das Entidades Oficiais.
2 ª Parte – 16H30
· Animação Cultural pelo “Ranchinho da Miuzela”

Monteiro Valente

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Prémio Prof. Dr. José Pinto Peixoto - Ensino Básico 1 º Ciclo

Foi recebida a candidatura colectiva ao "Prémio Professor Doutor José Pinto Peixoto - Ensino Básico - 1 º Ciclo - 2005/2006" de três alunos que frequentaram o 4 º ano na Escola da Miuzela:
- António Morais Lajas
- Tatiana Andrade Prata
- Tiago Emanuel Monteiro Ladeiro.
O júri do de apuramento dos concorrentes premiados deliberou atribuir uma "Menção Honrosa" aos três alunos candidatos, pela sua participação no concurso e como estímulo para futuras reedições do prémio.
Os diplomas e os valores em dinheiro atribuídos serão entregues durante a sessão cultural que terá lugar na Miuzela no próximo dia 6 de Agosto, com início às 15H00.
Monteiro Valente

Sábado, Junho 10, 2006

Questionários: Lar + Piscinas

a tua opinião conta...

preenche os questionários (faz aqui o dowload)

para o e-mail:
miuzela.centro@gmail.com

ou para o endereço postal:

Largo do calvário
6355-110
Miuzela

obrigado pela tua colaboração

Quarta-feira, Junho 07, 2006

Caminhos

Finalmente cá escrevo qq coisa hein!

Prometo ser rapidinho e é apneas parta dar uma sugestão para quem o queira:
  • sabem aqueles mapas q costumam colocar no principio das aldeias, zonas historicas, etc etc? onde se indicam os caminhos, ruas etc? tão a ver? tipo os mapas que dizem "voce está aqui"?
  • Ora bem então pq não fazer uns qts, espalhar pela miuzela, e atenção não apenas miuzela povoação mas também pelos caminhos em volta para que pessoas (como eu) possam passear pelo meio dos antigos pinhais, vinhas [agora provavelmente mato] indicando referencias...

Por exº caminho até ao Côa pelos .. hum... 3 barrocos.. e outros como este..

Vejam disso... são ideias.. :D

Quarta-feira, Maio 17, 2006

nova MASCOTE do centro





Chama-se: "epi"

"ludoteca com nova cara"




Segunda-feira, Maio 15, 2006

Terras da Beira

São cada vez mais os mortos que povoam os cemitérios e menos os vivos que ficam. Os jovens saíram pelas estradas que invadiram o seu habitat. Fugiram das courelas que irmãos disputavam à sacholada e à facada, dos regatos que secaram a caminho das hortas, da humidade que penetrava as casas e os ossos e da pobreza que os consumia.

Não há estímulo para permanecer. Não se percebe que as penedias tivessem custado vidas na disputa da fronteira, que homens se tivessem agarrado aos sítios e enchido de filhos as mulheres que lhes suportavam o vinho, a rudeza e os maus-tratos.

Os tempos mudaram e os campos, abandonados, são pasto de chamas que lhe devoram os arbustos, no estio, e os entregam à erosão.

Os funerais são o momento de fazer o recenseamento dos que resistem. Nas missas, os padres em via de extinção debitam com ar sofrido a homilia, com pressa de passar à paróquia seguinte e sem coragem para falar do Inferno. Ora, sem medo, sem ameaças e sem convicção não há fé que resista ao ar lúgubre de uma igreja, ao frio do lajedo e às imagem que substituíram as antigas que rumaram aos antiquários.

Falar de castidade a quem a idade condenou, dos malefícios do aborto a quem passou há décadas a menopausa e na obrigação de aceitar os filhos que Deus mandar a quem já não é capaz de os gerar, é persistir em rotinas que a desatenção e a demência cultivam.

Há dias fui à Beira onde nasci. São poucas as pessoas que permanecem. O País inclina-se perigosamente para o mar com o interior despovoado, a caminhar para o deserto. Outrora, aquela zona foi um alfobre de gente, hoje é um cemitério de recordações em vias de extinção.

A nossa incúria vai reduzindo Portugal a uma estreita faixa com mar à vista. Até o Presidente da República diz que devemos virar-nos para o mar. É uma forma de nos afogarmos de frente.

Foi esta regionalização que o PSD e o CDS quiseram.

Segunda-feira, Maio 08, 2006

O que te vão fazer "velho mercado"

Uma vez mais na ignorância.

À pergunta “o que vão fazer aqui no mercado velho?”, ninguém me responde (continua a Miuzela apática que nem o estrondo da queda do pinho redondo soube acordar). Será que não devemos ser informados do que se pretende fazer ao velho mercado? Não devem os responsáveis políticos dar, por aviso público, em reunião da assembleia aberta ao público, outra maneira que agora não me ocorre, conhecimento aos miuzelenses das suas intenções para aquele espaço? Ou essa parte fica apenas para os momentos pré-eleitorais em que se anda na caça ao voto.

Se a minha presença é incómodo, então que convoquem a reunião para o meio da semana, assim terão a certeza que não irei, mas ao menos o povo ficará a saber das coisas.

Dirijo-me também aos elementos da assembleia que foram eleitos pelo partido minoritário, que com o poder que lhes confere a al. b) do n.º 1 do artigo 14.º da lei das autarquias locais, podem solicitar, ao presidente da Assembleia de Freguesia, convocação de uma sessão extraordinária de esclarecimentos aberta ao público.

A juntar a tudo isto, não sei se foi feito um estudo de impacto ambiental, para aferir da influência que terá para o ecossistema da Miuzela o rebentamento (não sei se vai haver este rebentamento, ainda não me informei acerca disso) daquela laje histórica (escrevi esta parte apenas para alertar a Quercus para este facto…:o).

O meu sonho sempre foi ver naquele espaço, um anfiteatro natural escavado na laje (rocha), pois a sua inclinação assim o dá a entender. Um local para espectáculos de teatro e dança, palestras e outras actividades ao ar livre (ou com uma coberta para os devidos efeitos). Ao seu sopé um conjunto de mesas e cobertas, que desse para se jogar à sueca, dominó ou xadrez, dar um, conviver, em suma passar um bom bocado.

Como a vontade, não de parte dos órgãos responsáveis, lá irei eu pedir novamente esclarecimentos ao presidente da freguesia, das 14:00 às 15:00 h, terças, quintas e sábados (se lá estiver…claro).

Devo ser eu que sou um eterno sonhador… paciência.












A nossa "escolinha"

Est� muito bonita
e valeu a espera.

Os nossos meninos ir�o aprender
melhor,
e sair grandes doutrores
agora nesta nova
escolinha.

Parab�ns a todos os que se
esfor�aram por o conseguir,
especial
Junta de Freguesia

Segunda-feira, Maio 01, 2006

Notas Soltas - Abril/2006

Constituição/1976 – Trinta anos após a aprovação, com alterações que o tempo e as circunstâncias aconselharam, mantém-se a referência do ordenamento jurídico e aval dos direitos, liberdades e garantias que, durante 48 anos, foram negados aos portugueses.

Carlos Fabião – Com a morte do ex-Governador da Guiné e chefe do EMGE, a democracia perdeu uma referência emblemática e um dos mais empenhados e generosos militares de Abril. Sofreu agravos e o ostracismo com enorme coerência e dignidade.

Marcelo Rebelo de Sousa – A situação de comentador televisivo confunde-se com as funções de conselheiro de Estado, não se percebendo se as suas afirmações são recados, opiniões ou intrigas.

Santos Cabral – A demissão, por razões de confiança política, não beliscam o decoro do ilustre juiz conselheiro, ao contrário da do antecessor cuja conduta atingiu o prestígio próprio, o da PJ e a honra de Ferro Rodrigues.

Iraque – O julgamento de Saddam é uma farsa. Os crimes sSão indefensáveis e sobram razões à acusação, mas mingua legitimidade aos julgadores. A verdade que se pretende apurar colide com a mentira que se quer apagar – o motivo falso da invasão.

Berlusconi – A postura, a linguagem e os interesses eram intoleráveis. O desaire da direita, daquela direita, pôs fim ao populismo, nepotismo e confusão de interesses públicos e privados. Tal como no poder, Berlusconi foi mesquinho na derrota.

Romano Prodi – A vitória é um desafio à unidade da esquerda. Feito o que era urgente – afastar Berlusconi –, falta o mais difícil, dignificar o Estado, pôr a economia a funcionar e manter a estabilidade governativa.

Irão – Os avanços nucleares e as declarações agressivas dos ayatollahs, com fortes motivações de hegemonia política e proselitismo religioso, justificam a apreensão mundial e vigilância estreita.

Vaticano – A aproximação à Sociedade S. Pio X (SSPX), onde sobressaem dois bispos abertamente fascistas e anti-semitas, é um indício dos caminhos que a ICAR se propõe trilhar com quem excomungou no anterior pontificado.

STJ – O acórdão que considera «lícito» e «aceitável» que uma funcionária de um lar de crianças deficientes, dê «estalos», «palmadas» e feche crianças em quartos escuros como medidas educativas, faz considerações deploráveis e jurisprudência inaceitável.

Espanha – Dia 14 comemorou-se o 75.º aniversário da II República que forças obscurantistas e reaccionárias derrubaram para impor a ditadura que oprimiu, torturou, exilou e assassinou centenas de milhares de patriotas e democratas.

Filipinas – A crucificação de fiéis, a evocar o sofrimento do seu Deus, não é um acto de piedade, é a violência que mostra a face da Igreja – a crueldade com que o clero conserva e promove uma fé arcaica, indigna do ser humano.

Israel – O atentado suicida que matou dez israelitas e feriu 60, com o Hamas a recusar condená-lo, compromete a Palestina e desmotiva os que apoiam a sua causa, indiscutivelmente legítima.

Madeira – O encerramento da Assembleia Regional no dia 25 de Abril, data a que deve a existência, é um insulto patético de Alberto João Jardim que fez o tirocínio democrático na escola do Estado Novo e o de boas maneiras em Chão da Lagoa.

25 de Abril – 32 anos depois, há quem exonere da lapela o cravo e da memória a Revolução, parasitas de alheia coragem, a comer frutos da árvore que não plantaram e a repoltrearem-se à farta na mesa que não puseram.

Chernobyl – A explosão com a força de 200 bombas como a de Hiroxima é uma tragédia viva e uma dolorosa recordação cujas feridas permanecem. Chernobyl é uma catástrofe em aberto, um laboratório de horrores e uma memória por encerrar.

Cavaco Silva – Foi estranho o entusiasmo dos aplausos do PSD e do CDS, na AR, ao discurso marcado por fortes preocupações sociais. Terá sido desatenção, dureza de ouvido ou oportunismo?

CDS – O azedume à Constituição da República é a reacção natural de um partido que nunca condenou a de 1933 nem sentiu a necessidade de existir enquanto a ditadura oprimiu o povo português.

Itália – A Esquerda conseguiu assegurar, para além da presidência do Governo, a da Câmara de Deputados e do Senado. Com margem tão escassa, o futuro Governo não aguenta a legislatura mas o País já não tem de aguentar Berlusconi.

Agricultura – A CAP viveu vinte anos à custa dos subsídios da União Europeia enquanto a agricultura definhou e morreu. O ministro Jaime Silva quer pôr termo ao parasitismo. Que não lhe doam as mãos. Portugal conhece esses «agricultores».

Monumento ao 25 de Abril em Almeida – Continuam favoráveis os ventos que sopram da CMA. Não podemos esperar que se faça já o que em sete anos se não fez.

aesperanca@mail.telepac.pt

Domingo, Abril 30, 2006

Abril: Um eterno futuro

O 25 de Abril foi o ponto final num passado de expropriação da liberdade; foi o momento criador de uma autêntica cidadania; foi o acto fundador da nossa contemporaneidade com a Europa e o mundo.
Contudo, as comemorações do 25 de Abril já pouco mais são que um ritual, com cada vez menor vivência cívica. Passados trinta e dois anos sobre a data em que “emergimos da noite e do silêncio”, regressou a desilusão, a angústia e o desespero, a falta de confiança e de esperança no futuro, a falência dos valores e ideais, a par do descrédito do sistema político e do reaparecimento do «sebastianismo» na vida política nacional. Será que Eduardo Lourenço terá razão quando fala da total ausência de interesse dos portugueses pela «ideia de Portugal» que tenha qualquer conteúdo além do da sua representação”?
É certo que o regime democrático se encontra consolidado e os direitos e liberdades fundamentais estão consagrados no ordenamento jurídico e, para muitos, isso significa a melhor homenagem ao 25 de Abril. Contudo, não parece menos certo que o estado de espírito dos portugueses será, também, resultado de um propósito deliberado de amnésia história por parte de uma classe política, mais interessada em reduzir a democracia à sua componente representativa e em esquecer o valor central da cidadania. E sem esta a democracia estará amputada do seu elemento fundamental legitimador.
Ainda assim, o poder simbólico do 25 de Abril vai resistindo aos anos, porque ele lançou a semente dos direitos políticos e sociais e autonomizou a consciência crítica de muitos portugueses, que não têm esmorecido na exaltação pedagógica dos seus autênticos valores e ideais.
Nunca será de mais todo o esforço para não deixar apagar a memória do Portugal de antes de Abril: do Portugal amordaçado por quarenta e oito anos de repressão violenta, prisão arbitrária, humilhação, tortura, degredo e assassínio dos opositores políticos; do Portugal de miséria e analfabetismo, de emigração clandestina para sobreviver, onde se fazia fila para comprar leite e pão, a mulher não tinha lugar na sociedade e a vida pessoal era devassada; do Portugal em guerra com povos irmãos durante treze anos, onde se exauriram gerações sucessivas de jovens portugueses e africanos; do Portugal isolado, condenado e humilhado internacionalmente.
Do mesmo modo, é imperioso lutar contra o esquecimento daquilo que foi uma gesta persistente, simultaneamente dramática e heróica, de rebeliões militares, tentativas revolucionárias, levantamentos operários, lutas camponesas, combates sindicais, movimentos culturais, greves académicas, manifestações estudantis e outras formas de resistência e contestação ao regime, que foram transmitindo até Abril de 1974 ecos gratificantes e esperançosos de revolta e insubmissão que o regime nunca conseguiu de todo calar. Muito mais que uma acção isolada de capitães insubordinados, o 25 de Abril foi a expressão culminante das aspirações de Liberdade do Povo português, e ignorar isso será cortar as raízes ao Portugal livre e democrático que então renasceu.
Não é menos importante aprender com a história, procurar entender como se chegou à ditadura e porque razão esta durou quase cinco décadas. Trocando o ideário liberal e progressista do republicanismo pelo nacionalismo e pela crença nas virtudes de uma «ditadura de reformas» ou de um «governo nacional extraordinário» largos sectores republicanos esqueceram a liberdade e sonharam, sobretudo, com uma nova ordem. Mesmo entre os mais conscientes dos autênticos valores democráticos, muitos houve que viram na ditadura a evolução natural da República, de liberal a corporativa, de «desordeira» a ordeira», de desagregadora das forças nacionais e políticas a agregadora, numa lógica de proclamada e formalizada «União Nacional». Numa altura em que se apela ao compromisso político é oportuno lembrar que o salazarismo foi o resultado de um compromisso entre várias forças políticas, incluindo nestas algumas correntes republicanas. Todas queriam reconciliação nacional, governos de competência, estabilidade política e ordem pública.
Como muito bem lembra José Gil, “a crise portuguesa assenta, na sua génese, numa preocupante falta de memória”. “Tudo é nevoeiro, sombra branca, preconceito, silêncio, complexo e trauma, que não deixa inscrever no real os 48 anos de autoritarismo salazarista”. Esta talvez seja a principal causa dos nossos problemas, aquela onde radica a vã esperança providencialista inibidora da confiança própria para enfrentar os desafios.
A história ensina que não há futuro fora da democracia. É fundamental, pois, guardar a memória de Abril, fazer dela uma exigência permanente de melhor democracia, de mais cidadania, de maior progresso e justiça social, promover a pedagogia dos seus valores e ideais, confrontando, apesar das dificuldades do presente, o Portugal da “apagada e vil tristeza” com o Portugal da Liberdade.
Porque só com Abril Portugal será futuro.

Monteiro Valente

Sexta-feira, Abril 28, 2006

30 de Abril é Dia do Associativismo












30 de Abril é Dia do Associativismo e, entre as comemorações que pelo país vão acontecer, o IPJ programou duas iniciativas muitos especiais:
Uma Jornada de Debate, no âmbito do Programa Nacional de Juventude (PNJ), dedicada à temática deste Dia e, integrado no agenda de trabalhos,
O Lançamento público do Estudo - realizado pelo Observatório Permanente da Juventude - O Associativismo Juvenil e a Cidadania Política.

mais informações em:http://www.juventude.gov.pt/

Quarta-feira, Abril 26, 2006

um fim de semana "em cheio"



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Sexta-feira, Abril 21, 2006

dia da liberdade


Para comemorar o dia da liberdade, nada melhor que o convivio de desporto, e alegria. Vamos todos encontrar-nos no polidesportivo da associação para jogar basket e outros variados jogos

Quinta-feira, Abril 20, 2006

N.º 37 - nova edição do "Miuzela Arriba"





já saiu e pode

fazer o download

aqui...

Quarta-feira, Abril 19, 2006

"mais MIUZELA nas férias"














este será o nosso slogan este ano
no intuito de levar os miuzelenses a passar
mais tempo na Miuzela
no periodo de férias
em vez de irem para as praias
atulhadas de gente...

"mais MIUZELA nas férias"

Segunda-feira, Abril 03, 2006

a festa da inauguração


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Sábado, Abril 01, 2006

Notas Soltas - Março/2006

Co-incineração – Apesar dos medos semeados, vai avançar e ajudar a solucionar o problema dos lixos e resíduos industriais perigosos que, irresponsável e levianamente, os últimos Governos deixaram agravar.

Guantánamo – O clamor de militantes dos direitos humanos tornou insustentável a prisão onde Bush aboliu as normas do direito internacional e os princípios elementares da civilização.

Alcorão – Face aos desvarios do islão, urge lembrar os direitos humanos e a condição da mulher, que os islamitas desprezam, bem como os direitos de que gozam na Europa e cuja reciprocidade negam nos países de origem.

Cavaco Silva – O sucessor de Jorge Sampaio, ao jurar a Constituição, tornou-se o garante dos direitos, liberdades e garantias nela consagrados. Espera-se um presidente à altura dos seus antecessores recentes.

Mário Soares – Censurado por ter assistido à posse do novo PR e ao discurso, desistindo da sessão de cumprimentos, por falha do protocolo, não ocorreu aos críticos que Cavaco Silva, há dez anos, derrotado por Sampaio, nem sequer foi à posse.

Direitos humanos – Quando o desrespeito atinge países civilizados, não admira a violação sistemática e generalizada em países párias: Coreia do Norte, Irão, China ou Bielorrússia, entre outros. Dramático.

CDS – Ribeiro e Castro é um presidente sem partido. Com deputados insurrectos, assiste impotente à deriva populista e reaccionária do CDS. Os congressos não reforçam a autoridade do líder nem mudam a natureza do eleitorado.

Paulo Portas – O regresso à política activa, na pele de comentador televisivo, é um ensaio para o lançamento de um partido à sua medida, tendo como base a bancada do CDS e a fatia que ambiciona subtrair ao PSD.

Itália – Berlusconi, cantor, magnate da televisão, milionário e dono de um clube de futebol, consegue iludir o fisco, legislar em proveito próprio, seduzir o Vaticano e ser o primeiro-ministro com maior longevidade desde a segunda guerra mundial.

Israel – No assalto militar ao cárcere de Jericó, sob custódia britânica, a captura do assassino de um ministro debilitou o líder da Palestina, abriu nova crise e semeou o caos no território ilegalmente ocupado. Os radicais do Hamas agradecem.

Jaime Silva – O ministro enfrentou a CAP e privilegiou a produção, retirando ajudas a quem não produz. Eis um acto de coragem contra quem se habituou a capturar os subsídios enquanto a agricultura desapareceu.

Iraque – Três anos após a insensata e criminosa ocupação, dezenas de milhares de mortos depois, o Iraque ameaça desintegrar-se, o Irão elegeu os mais fanáticos, a Palestina deu a vitória ao Hamas e o mundo está mais perigoso.

Afeganistão – A pena de morte pela conversão ao cristianismo, recorda as chamas da Inquisição e o perigo da influência clerical no Estado. Só a laicidade garante a liberdade religiosa e os direitos humanos.

Espanha – Após mais de três décadas, a ETA renunciou à violência. Não cabe aos terroristas pôr condições, mas devem os políticos aceitar, com prudência, o sinal de esperança que desponta.
Governo – A descentralização, com base em cinco Regiões, é um acto de lucidez e coragem destinado a garantir alguma eficácia na caótica divisão administrativa do País. É pena que interesses políticos tenham adiado a extinção de 13 Governos Civis.

Regionalização – A defesa de um referendo imediato, por Marcelo e Manuela Ferreira Leite, ambos conselheiros de Estado, vem criar um ruído intolerável por não sabermos de são recados, intrigas ou opiniões pessoais (más).

Canadá – O repatriamento de portugueses é legal mas desumano. Os esforços do MNE procuram evitar o pior mas é a lógica dos Governos de direita. Em Portugal, Paulo Portas e Manuel Monteiro, com posições xenófobas, estão naturalmente calados.

França – A gigantesca mobilização contra a reforma laboral pode ser o princípio do fim das ambições de Villepin e o fim do princípio de que a Ásia e a América Latina conquistariam direitos e de que a Europa não os poderia perder.

Irão – A obstinação no enriquecimento do urânio é um desafio ao Conselho de Segurança da ONU e a prova de que os ayatollahs procuram a hegemonia no mundo islâmico. Prepara-se a guerra e adivinha-se a tragédia.

Aznar – O ex-primeiro-ministro de Espanha cultiva o ressentimento. A paz com a ETA e o estatuto da Catalunha afligem-no. As vitórias de Zapatero são punhais. É um monárquico rancoroso de um país cujo rei tem virtudes republicanas.

Monumento ao 25 de Abril em Almeida – Continuam a ser favoráveis os ventos que sopram da CMA. Depois de tantos adiamentos, a determinação que parece existir é um lenitivo para a longa e dolorosa espera.

aesperanca@mail.telepac.pt

Quinta-feira, Março 30, 2006

Abre "LUDOTECA" na Miuzela

Segunda-feira, Março 27, 2006

Esteve na Miuzela o "Bom Pastor"


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Sexta-feira, Março 24, 2006

A Casa de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto em 2006

Assinalando o 10 º aniversário do falecimento do ilustre Miuzelense e insigne cientista de renome mundial Professor Doutor José Pinto Peixoto, o Plano de Actividades da Casa de Cultura terá como seu ponto mais significativo a realização, no dia 6 de Dezembro, de um colóquio em sua homenagem promovido sob o alto patrocínio da Universidade da Beira Interior (UBI), sobre o tema geral “Pinto Peixoto e a Ciência”.
Por outro lado, dando continuidade ao programa “Sessões de Verão” na Miuzela, está prevista a realização de uma nova sessão no dia 6 de Agosto, evocando os dez anos da publicação da obra “Miuzela – A Terra e as Gentes”, da autoria do Professor Doutor José Pinto Peixoto. Durante a sessão serão entregues os prémios “Professor Doutor José Pinto Peixoto - Ensino Básico 2006”, aos concorrentes melhor classificados.
Numa alteração da modalidade anterior do prémio “Escola da Miuzela”, no corrente ano foi alargado o âmbito do concurso, podendo candidatar-se ao novo “Prémio Professor Doutor José Pinto Peixoto - Ensino Básico 1 º Ciclo”, todos os alunos naturais ou descendentes da Miuzela que frequentem o 4 º ano, em qualquer escola nacional ou no estrangeiro, no ano lectivo 2005/2006. Lembra-se que o prazo de candidatura termina a 31 de Maio. O regulamento poderá ser consultado pelos interessados no jornal “Miuzela Arriba”, n º 36, de Outubro a Dezembro de 2005 e no “site” www.associacaoprofessorjpintopeixoto.org
Pelo quinto ano consecutivo, continuará a ser atribuído o “Prémio Nacional Professor Doutor José Pinto Peixoto - Ensino Secundário” ao aluno que, a nível nacional, concluir com melhor classificação o Ensino Secundário no ano lectivo 2005 – 2006 e que a ele concorra nos termos do respectivo regulamento, já remetido à Direcção-Geral do Ensino Secundário e às Direcções Regionais de Educação para divulgação a todos os Estabelecimentos de Ensino Secundário do Continente.
Concretizando um projecto da “Comissão para as Comemorações Nacionais em Homenagem ao Professor Doutor José Pinto Peixoto”, a Associação irá patrocinar a publicação de uma obra reunindo as comunicações apresentadas aquando da referida consagração nacional.
Para lembrar na Miuzela o 10 º aniversário do falecimento do Professor Doutor José Pinto Peixoto será realizada, no dia 8 de Dezembro, uma sessão cultural evocativa. Durante a cerimónia será feita a entrega do “Prémio Nacional – Ensino Secundário” ao concorrente vencedor.
Paralelamente, serão propostas outras iniciativas institucionais complementares às anunciadas, para homenagear de uma forma mais alargada possível, a nível municipal, distrital e nacional, a figura do Professor Doutor José Pinto Peixoto, no ano do décimo aniversário do seu falecimento.
Após anos de inúmeras diligências burocráticas, está finalmente prevista a realização, no próximo dia 21 de Abril, da escritura de doação à Associação, por D ª Judite Correia Pinto Peixoto, do prédio sito à Rua da Botica, para, conjuntamente com o prédio anexo já adquirido, se instalar a sede definitiva da Associação e a Casa de Cultura. Infelizmente, a desactualização dos registos respectivos e a complexidade do processo atrasaram por muito mais tempo que o esperado a formalização da doação. É certo que teria sido mais rápido e fácil, e porventura menos onerosa a construção de um imóvel novo de raiz. Mas os objectivos da Associação passam, também, pela valorização do património arquitectónico tradicional, porque é nele que reside o interesse das nossas aldeias rurais e é dele que poderão advir mais valias para o seu desenvolvimento.
Logo que realizada a escritura, haverá, ainda, que proceder à anexação das duas fracções adquiridas, através de uma operação de loteamento, bem como ao destaque formal de uma fracção, já na prática individualizada ao tempo da aquisição do prédio, diligências que demorarão mais algum tempo, mas que não poderão deixar de ser previamente efectuadas para, finalmente, se poder tratar da licença de obras.
É objectivo da Associação atingir, no final de 2006, o número total de 150 sócios. Se ainda o não é esperamos a sua inscrição, honrando com o seu contributo a memória do ilustre filho da Miuzela que foi o Professor Doutor José Pinto Peixoto e colaborando na realização dos fins da Associação. Prosseguem, entretanto, diligências, no sentido da obtenção de mais apoios financeiros para custear as obras a realizar e as actividades a desenvolver, sendo merecedor de destaque especial o apoio que todos os anos a Associação tem recebido da Câmara Municipal de Almeida.
Em todas as acções culturais promovidas, a Associação tem contado com a disponibilidade do Rancho Folclórico e do Grupo de Teatro, Danças e Cantares, ambos da Miuzela, que com o entusiasmo e qualidade artística dos seus elementos, têm contribuído para um maior brilho e dignidade das sessões realizadas. E vai continuar a contar.
Como temos vindo a afirmar repetidas vezes, exaltando a memória do distinto e saudoso Miuzelense Professor Doutor José Pinto Peixoto, a Associação pretende simultaneamente contribuir para um maior conhecimento e desenvolvimento da Miuzela e para a valorização social, cultural e cívica das suas Gentes, muito especialmente das suas gerações mais jovens.
O Presidente
Augusto José Monteiro Valente

Quinta-feira, Março 23, 2006

Miuzela - O dia de mercado

A morte não é só a injustiça que refere Saramago, é uma divina patifaria à espera da manifestação de repúdio adiada pela complacência, cobardia de quem teme atirar pedras ao algoz. É difícil perceber como vivos provisórios, sem nada a perder, se resignam, sem luta, a tornar-se mortos vitalícios.

Não serei eu que os convoco para o exercício cívico de um dever de cujo êxito não estou seguro, mas também não os acompanharei na subserviente gratidão por cada dia de vida que gozam enquanto esquecem agravos para com entes queridos que foram.

Mingua-me, aliás, a autoridade. Partiram os avós e eu nada fiz, chorei apenas. Dói-me recordar a avó que ainda me sorri com o sorriso que lhe via quando a convocava a acompanhar-me à poça de lama onde eu caíra, a exigir-lhe a mão para me levantar de novo onde antes tivera de o fazer sozinho, e a dizer-me meigamente, filho, és quase tão bom como bruto e és tão bom. E o avô, generoso, a repartir sempre o que tinha sem nunca o arrefertar, a insistir comigo para que comesse. Depois foram os pais e fiquei sem retaguarda.

À medida que foram as pessoas que amámos, apreciamos mais as coisas que eram. E invade-nos a saudade pela nogueira sob cuja copa jogávamos à bisca, cortada para lhe porem uma casa no sítio. Onde então estavam as raízes passam hoje canos; no lugar das nozes secam peúgas e cuecas no estendal; aquela pedra que suportava o baralho, donde biscávamos as cartas, está algures na parede da casa rebocada se, acaso, lhe deram préstimo. Sobre a videira de moscatel cujas uvas resistiam à nossa gula, defendidas por uma mistela que punha os garotos de soltura e lhes arriscava a vida, foi construída uma garagem. Até a macieira velha onde todos os anos sobravam duas ou três maçãs para o rebusco foi sepultada por uma máquina cujos roncos saíam da nuvem de pó que anunciava a nova méson do emigrante. Roubaram-nos as sombras, os sítios e, sobretudo, a memória daquelas tardes em que jogávamos às cartas até à hora em que o sol, depois do seu pôr, deixava no horizonte uma auréola rosácea a indicar onde se ocultava.

A terceira quinta-feira de cada mês era dia de mercado. Nas tendas vendiam-se sapatos, pentes, fazendas, canivetes, alfaias agrícolas, espelhos redondos com emblemas de clubes de futebol por trás e molduras com a senhora de Fátima e os três pastorinhos. Um negociante comprava a dois contos o quilo de lenticão, fungo do centeio, pequenos cornos cujos alcalóides faziam, sei-o hoje, as delícias dos farmacologistas e a fortuna da indústria farmacêutica que os convertia em remédios para variadas moléstias enquanto, ao lado, um negociante comprava lã com a arroba a valer dezasseis quilos, um era para a merma. Por cima dos barrocos, em precário equilíbrio, barris de vinho esvaziavam-se ao ritmo dos negócios e da sede a caminho de estômagos vazios ou com fritos à espera.

Os solípedes valiam mais na altura das colheitas e desvalorizavam no inverno por via da escassez dos fenos. Os porcos começavam a comprar-se na Primavera para criação e no Outono para engorda. Os borregos e os cabritos tinham a sua época. As vacas e os vitelos valiam uma fortuna mas custavam a criar. Às galinhas pedia-se um certificado de que não tinham moléstia, certificado que logo era passado por palavras de quem vendia, e que valia o mesmo do que isentava da peste o porco que se comprava para criar. Entre as dez da manhã e as cinco da tarde fazia negócio quem podia, depois era levantar a quitanda, o que tinha a dar já fora, toca a arrumar a tenda e ala que se faz tarde, era milagre não haver três ou quatro furos aos cem quilómetros nos carros ligeiros e camionetas.

Era então que os garotos competiam para se dependurarem na escada fixa que conduzia ao tejadilho da Vencedora, camioneta sem janelas que misturava mercadorias e feirantes no interior, e regressavam a correr para apanhar outra camioneta para, dependurados nos taipais, voltarem a fazer a viagem do Espadanal até à vinha do Panelo e tentar ainda outra, numa competição por distância percorrida, puxados pelos motores que se queixavam do piso, do peso e da subida.

Os automóveis estacionavam sempre a descer, desconfiados os condutores da eficácia da manivela para despertar o ímpeto que os motores de arranque haviam de tornar uma brincadeira ao alcance de um leve toque na chave de ignição. Mas os automóveis eram raros e só consentiam um único garoto no pára-choques traseiro pois havia apenas o manípulo da mala para manter o equilíbrio durante os solavancos. As carroças, que os machos tiravam lestos, eram difíceis de ultrapassar pelos veículos motorizados mas deixavam indiferentes a pequenada.

O mercado era o frenesim mensal, a romaria laica, o destino de quem precisava de vender e de quem podia comprar, o ponto de encontro de produtos, afectos e suor, o lugar de partida de um negócio auspicioso ou de chegada para uma pneumonia de mau prognóstico. Nem a chuva nem o sol venciam o mercado que todos os meses se repetia.

Crónica publicada em 05-09-2003 no Jornal do Fundão.

Quarta-feira, Março 22, 2006

Prémio Prof. Dr. José Pinto Peixoto - Ensino Básico 1 º Ciclo

A Associação Casa de Cultura Professor Doutor José Pinto Peixoto decidiu instituir a atribuição anual de um prémio, denominado “Prémio Professor Doutor José Pinto Peixoto – Ensino Básico 1 º Ciclo”. Podem concorrer ao prémio todos os alunos naturais ou descendentes da Miuzela, que frequentem o 4 º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico, alargando-se, deste modo, o âmbito de atribuição do anterior prémio - que era apenas destinado aos alunos que frequentavam a Escola da Miuzela – o seu valor e o número de premiados.
Trata-se de uma iniciativa que visa, em primeiro lugar, honrar e perpetuar a memória do ilustre filho da Miuzela, patrono do prémio, que foi um dos mais insignes cientistas portugueses e de reputação mundial no século XX, especialmente nas áreas relacionadas com a energética da atmosfera, um ilustre pedagogo e grande humanista.
Honrando o Homem, o Cientista e o Professor, a Associação pretende, simultaneamente, entre outros objectivos, divulgar a figura, a vida e a obra do seu patrono e exercer dessa forma uma função pedagógica dirigida, especialmente, às gerações jovens, cultivando e aprofundando nelas o seu exemplo, como referência estimulante para a sua formação académica e cívica.
Comemorando-se no corrente ano o décimo aniversário do lançamento da sua obra “ Miuzela – A Terra e as Gentes”, o apuramento dos vencedores do prémio terá como elemento determinante uma composição escrita sobre o tema “A Miuzela e o Professor Doutor José Pinto Peixoto”.
A Associação ficaria muito sensibilizada com uma ampla adesão a este prémio, solicitando a todos os pais o maior interesse e empenho no estímulo e apoio aos seus filhos. No fundo trata-se de contribuir para manter viva entre os mais jovens a memória da Terra e das Gentes da Miuzela.
O regulamento do prémio pode ser consultado no n º 36 do “Miuzela Arriba”, de Outubro – Dezembro de 2005, e no “site” da Associação: www.associacaoprofessorjpintopeixoto.org
Monteiro Valente

Quinta-feira, Março 16, 2006

A CAP e o ministro da Agricultura

A CAP é uma poderosa organização que engloba grandes proprietários que vieram do Estado Novo e se acomodaram mal à democracia.

Não deixaram, no entanto, de confiscar em seu proveito parte substancial dos fundos oriundos da Comunidade Europeia.

Ao pretender beneficiar pequenos e médios agricultores em detrimento dos grandes agrários, Jaime Silva comprou uma guerra com tal gente.

A manifestação de força e as arruaças da CAP são uma provocação e um desafio aos critérios de justiça que o ministro defende.

A animosidade da Confederação de interesses que se opõe ao ministro é a prova de que o actual Governo se pauta por critérios de justiça social e se emancipou da tutela da CAP.

No fundo, o que dói aos arruaceiros é que os subsídios para não produzir se transfiram para apoios à produção. São 500 milhões de euros, vindos de ajudas europeias, a que a CAP se julgava com direito graças às influências políticas de que sempre dispôs.

Sábado, Março 11, 2006

A posse do Presidente e Mário Soares

Mário Soares, foi à Assembleia da República, assistiu ao acto de transmissão de poderes e ao discurso do novo Presidente da República.

Depois de cumprir as obrigações mínimas, abandonou silenciosamente o palácio e não participou na cerimónia de apresentação de cumprimentos.

O assunto tem sido pretexto para censura e insultos à grande figura histórica de Mário Soares, por vários leitores.

Por isso, e só por isso, recordo aos impiedosos julgadores que, há dez anos, Cavaco Silva, ressentido com a derrota perante Jorge Sampaio, nem sequer foi à tomada de posse.