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quarta-feira, julho 21, 2010

A GUARDA TEM NA MIUZELA UMA FONTE


CURIOSIDADES MIUZELENSES


PELO PROF. ANTÓNIO ROQUE







Como miuzelense não podia deixar em claro o texto publicado no Jornal Nova Guarda de 14 de 07 de 2010, com endereço abaixo onde é lembrado um grande miuzelense
Um abraço
A. Roque R. Anselmohttp://www.novaguarda.pt/noticia.asp?idEdicao=241&id=17885&idSeccao=3549&Action=noticia

RUA GENERAL PINTO MONTEIRO
É uma rua ainda recente, mas que com a expansão urbanística da cidade se situa hoje praticamente no seu centro. Ladeada de edifícios residenciais de qualidade, tem início no Largo de São João, segue em direcção às escadas de Santa Zita e vai fazer a ligação com a Rua Dr. Manuel de Arriaga.
Foi a esta artéria da cidade que a Câmara Municipal, lembrada do valor de Pinto Monteiro como militar, mas sobretudo do seu papel enquanto vereador municipal e da sua dedicação à Guarda, deliberou atribuir o seu nome
Foi aberta numa encosta, quase deserta até à década de trinta do século passado, conhecida por “Trás de São João”, por se encontrar situada a seguir ao largo do mesmo nome. Ao fundo da rua, mais ou menos onde hoje se situa o Club Egitaniense, ficava a Eira Velha. Poderá ser um pouco surpreendente ver uma eira no centro da cidade mas convém lembrar que a Guarda era uma terra que vivia do seu papel de sede de concelho e de capital de distrito, dos estudantes (Seminário e Liceu), dos militares, (chegou a ter duas unidades militares, um hospital militar e a ser sede de Distrito de Recrutamento Militar e de uma companhia da Guarda Fiscal, tudo em simultâneo), do comércio, e, é claro, da agricultura. A zona onde a rua foi aberta era constituída por baldios camarários que no início do século XX com a construção do Hospital da Santa Casa da Misericórdia e pela sua boa exposição solar começaram a ser disputados, pelo que a Câmara os foi pondo em arrematação. Zona nova, como já dissemos, todos os prédios são de construção recente. As primeiras construções teriam começado por volta de 1934, pelo menos de uma forma mais consistente. Por ali construíram, nessa altura, Manuel Ferreira, Eduardo Gomes, Argílio Brás e Tomaz Nunes Correia, entre outros. Logo ao lado, paredes-meias, ficava o chamado Bairro dos Polícias, com casas construídas por elementos daquela instituição. Era de facto uma zona emergente, apetecível, mas caótica, desorganizada e sem infra estruturas básicas. Não é por acaso que em 1946 foi feita uma exposição dos habitantes do Bairro de São João, pedindo que a Câmara providenciasse no abastecimento de água canalizada ao bairro, pois estavam a servir-se de uma fonte de mergulho existente no local. Continuava no entanto a ser uma zona disputada, tão disputada que esteve para ser o local escolhido para a construção do novo mercado municipal, só não o sendo, talvez, porque o vereador, capitão Manuel dos Santos alertou, em 1949, para os perigos sociais de tal decisão. Segundo o seu parecer, numa terra eternamente carenciada de casas de habitação, teriam que ser desalojadas 14 famílias, constituídas por 51 elementos. Por esta razão, ou por falta de meios, o que é certo é que o novo mercado municipal não chegou a ser construído naquele local. A rua propriamente dita começou em 1962 quando um grupo de influentes se constituiu em sociedade para construir a primeira casa da rua e que, curiosamente, será também a primeira a ser construída em regime de propriedade horizontal na Guarda. Aliás, na altura nem a própria rua existia, já se antevia, mas terraplenada e só no papel. No início dos anos sessenta continuava pois a ser um espaço praticamente ermo entre as ruas Dr. Manuel de Arriaga e Pedro Álvares Cabral.
No final da rua, no sítio da Eira Velha, existiam até ao começo da urbanização do local várias sepulturas cavadas na rocha, que foram destruídas ou encobertas com as construções. Ali esteve instalada a Policia Judiciária, até ser transferida para as suas novas e modernas instalações, e ali se encontra ainda uma instituição das mais antigas e prestigiadas da Guarda: o Club Egitaniense.
PINTO MONTEIRO
José Joaquim Pinto Monteiro nasceu em 22 de Agosto de 1892, na freguesia da Miuzela, concelho de Almeida. Seus pais, Manuel Joaquim Monteiro, natural dos Montes do Jarmelo, concelho da Guarda, e Maria Raquel Pinto Monteiro, natural da freguesia de Badamalos, conselho de Sabugal, eram pessoas com um perfil interessante. O pai depois de “feito” o liceu na Guarda vai para Coimbra onde se forma em Farmácia. Depois de uma breve passagem por Torres Vedras, instala-se na Miuzela, substituindo a antiga botica de Isidro Nave. Sendo um profundo conhecedor da cultura da vinha, divulgou novas castas e novas técnicas de “fabrico” de vinho, dando fama de vinhateira à terra. No entanto, por problemas com uma outra família e tendo enviuvado e voltado a casar, “teve” que se transferir para a vizinha Cerdeira. O filho, naturalmente, acompanhou as vivências dos pais. Em 1910, implantada a República, mas dela alheado, entra na Escola do Exército. Em 1915, com a Primeira Guerra Mundial a decorrer com ferocidade, oferece-se para servir em Angola, então um importante campo de operações militares.
Em 1919, já capitão, é colocado no Regimento de Infantaria 12, na Guarda. Em 15 de Agosto de 1921, uma segunda-feira, (como os tempos mudaram!) casou com Maria Amélia Homem Tavares de Almeida, filha de Leandro Homem de Almeida, uma das figuras distintas da cidade. Foi professor do Liceu e do Internato Académico, antecessor do Colégio de S. José, e entretanto criado. Instaurado o Estado Novo, fez parte da primeira Comissão Administrativa da Câmara Municipal, cargo onde se manteve até 1938. Em 30 de Dezembro de 1949 foi promovido a general. Atingiu o limite de idade em 1957, sendo na altura comandante Militar de Angola.
Faleceu em 21 de Março de 1959, na sua casa da rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa, vítima de doença renal.
Por: Francisco Manso


ENVIADO PELO PROF. ANTÓNIO ROQUE ANSELMO



GRATO



AQUELE ABRAÇO E ATÉ À PRÓXIMA






HORÁCIO EUGÉNIO DO CARMO GONÇALVES



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