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segunda-feira, outubro 02, 2006

Os Jovens e a alimentação

No início de um novo ano lectivo, foi lançada uma oportuna campanha nacional sobre a alimentação nas escolas, visando prevenir e combater a obesidade nos jovens, cujos índices de crescimento estão a constituir séria preocupação.
Existe, de facto, um problema alimentar a nível geral que, embora comece muitas vezes na infância, afecta principalmente os jovens em idade escolar. E é preciso preocuparmo-nos com ele antes que seja demasiado tarde.
O consumo de fast–food está a alastrar no país e em todo o tipo de estratos sociais, apesar de o cidadão minimamente avisado saber que tal alimentação é prejudicial à sua saúde. As próprias crianças o sabem. Qual a razão então da corrida a este tipo de alimentos? O que estará a falhar?
Convenhamos que é agradável, de quando em vez, saborear uma sandes ou um prato diferente, para mais sem a preocupação de ter de arrumar tudo mais tarde. Mas porquê tanta sedução por um tipo de alimentação que se sabe à partida fazer mal à saúde? Preguiça? Falta de tempo? Eficácia da publicidade enganosa?
Preocupante é, sobretudo, o que se está a passar com os jovens, com o aumento considerável do número de casos de excesso ponderal e obesidade, apesar da crescente procura de ginásios. Cerca de um terço apresenta sinais de obesidade. É o resultado do exagerado consumo de batatas fritas encharcadas em óleo, de sandes a escorrer molhos diversos, e de outros alimentos cheios de sal, açúcar e gordura, completados com bebidas e sobremesas excessivamente doces.
É fundamental reflectir seriamente sobre este problema, pois os danos feitos durante a adolescência em matéria de nutrição dificilmente serão corrigidos no futuro.
Será pura perda de tempo promover campanhas em prol de uma alimentação saudável se as disfunções alimentares encontrarem campo aberto nas refeições tomadas em casa; no facilitismo dos pais, satisfazendo todos os apetites dos filhos, no deficiente funcionamento das cantinas escolares, com condições de bem-estar poucos agradáveis, ementas repetitivas, nutricionalmente desequilibradas, sem variedade e pouco apelativas; ou na irracionalidade dos bares, com a maioria das bebidas e outros produtos disponíveis de pastelaria e snack excessivamente energéticos.
Como em relação a outros vícios da sociedade de consumo em que vivemos, o problema parece começar, primeiramente, por uma questão de moda e de afirmação social. Para o prevenir será precisa maior sensibilização para uma alimentação saudável, mas, paralelamente, serão necessárias melhores condições envolventes. A transformação das cantinas e bares escolares em espaços em que os jovens se sintam bem e com os quais se identifiquem, em alternativa aos dos centros comerciais, será o primeiro passo. Depois, será necessário investir na qualidade e variedade das ementas, de modo a melhorar a apresentação e o paladar dos alimentos e o seu equilíbrio nutricional. Nos bares haverá que promover a gradual eliminação de produtos hipercalóricos e a sua substituição por produtos mais saudáveis. O acompanhamento por especialistas em saúde pública será, também, fundamental. Em questões de saúde não se pode improvisar. A colaboração dos pais, das escolas, das autarquias e do Estado, num envolvimento articulado e convergente, será, por último, indispensável para combater o que poderá vir a ser um novo flagelo da sociedade pós-moderna. Não se espere que sejam as multinacionais produtoras ou distribuidoras a fazê-lo.
Uma alimentação saudável é condição necessária para um corpo e mente sãos!

Paula Sofia Beirão Valente
(Nutricionista)

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